quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Também quero aposentadoria...

Eu também quero aposentadoria!
Afinal, sou uma ex-um monte de coisas e o fui por muito mais tempo do que os quatro anos ou os nove dias dos governadores de alguns estados brasileiros. E o que falar do direito à aposentadoria que teriam os ex-moradores de rua, ou os ex-trabalhadores empregados, ou os ex-saudáveis que necessitam dos serviços públicos de saúde, ou os ex-alunos de escolas públicas que, por falta de condições, sejam elas quais forem, deixaram de frequentar uma sala de aula, ou ainda os ex-professores, expulsos de seus ideais sem o menor direito à apelação... Não o foram por muito mais tempo do que o tempo do mandato dos governadores (quatro anos ou nove dias... nove dias?)?
Nossa! Há tantos "ex" nesta vida!
Já fizeram a conta? Só com o pagamento de aposentadorias e pensões a ex-governadores, são gastos trinta milhões de Reais por mês, trezentos e sessenta milhões por ano, seiscentos e sessenta e sete mil salários mínimos, ou mais ou menos um milhão e duzentas mil cestas básicas (em dezembro/2010 aqui em São Paulo, a cesta básica custou duzentos e sessenta e cinco Reais e quinze centavos - a mais cara entre todas as capitais no Brasil).
Ufa!
Imaginem quantos hospitais poderiam ser melhor equipados, quantos profissionais na área de saúde e educação teriam suas profissões mais valorizadas com um pequeno aumento de salário que fosse? Quantas casas populares poderiam ser construídas?
Mas, enquanto o nosso povo continuar votando nas mulheres melancias, homens com nariz de palhaço, sem contar os candidatos que prometem lembrar dos esquecidos, e todos os estereótipos que cansamos de assistir nas cansativas e obrigatórias campanhas políticas que só servem para confundir, estaremos elegendo os políticos que merecemos ter, como pena à desinformação compulsória que é a doença real, verdadeira deste país. 
Poderia falar de muitas mais coisas, como por exemplo, o déficit turístico do Brasil que gira em mais ou menos seis bilhões de dólares, perdidos por falta de infra-estrutura num país com a natureza linda e vibrante como o nosso, mas ficam para uma outra postagem.
Até lá!