segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dor

Nem quero saber de onde veio a palavra ou o que signifique na concepção filosófica.
Para mim dor é um bichinho bem pequenininho que começa a picar devagarzinho, sorvendo sangue com tanto prazer quanto sorvemos uma xícara de café bem quente nos dias frios do inverno. Ele suga e suga e começa a crescer, engordando cada vez mais, incomodando, se acomodando e, quando percebemos, estamos totalmente subjugados a ele... Exaustos.
No começo administro, como o faço quando não tenho um bendito spray inseticida para matar aquele pernilongo chato que passo horas espantando com a mão, parecendo maluca.  Então, não tem mais administração, recursos, enfim, a dor me transforma. Abatida, rendo-me a ela, a Dor.
Remédios... Mais remédios... A dor inicial melhora e aparece outra - no estômago - E penso: "tomar remédio para esta dor ou aquela? O que incomoda mais? Não poder andar, com a coluna e a perna travadas ou ficar enjoada com dor de estômago sem poder comer direito?
Foi o fim de semana menos aproveitado dos últimos tempos.
Começou na sexta feira, uma dor insuportável, daquelas de tirar o fôlego e que me jogou no sofá pelo dia inteiro. Não que isso tivesse sido de todo ruim, mas detesto perder tempo. Tempo que não disponho para perder, que poderia estar produzindo, trabalhando, sei lá, tantas coisas que uma pseudo workaholic como eu faria numa sexta feira de sol e calor, com direito a chuva de verão no final do dia.
A única coisa que salvou foi não enfrentar o trânsito do começo e do fim do dia...
Dor...
E depois dizem que dor é psicológica. Quem "diz"? Só pode ser alguém que nunca enfrentou um dia de cão como eu. Só pode ser alguém com bloqueio de sensibilidade, um verdadeiro "sem dor" da vida.
Será que este alguém existe? Tomara que sim. Não desejo este mal - a Dor - para ninguém nesta vida...
Tomara que passe logo. Tomara que eu consiga voltar logo à minha postura relaxada de sempre, com o tronco bem equilibrado em cima dos meus quadris e não um arremedo de aleijada andando torta por aí.
Até a próxima... Sem dor, com certeza!