domingo, 20 de fevereiro de 2011

Saudades

Saudade. Palavra que vem do latim "solitas, solitatis"(solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar". Ou seja, palavra meio sem sentido em qualquer outra língua que não seja a portuguesa. Palavra com a qual poderíamos explicar o que sentimos com o tempo que estamos longe de alguém, de alguns ou de lugares em que já estivemos.
Esta semana encontrei com ex colegas de classe com quem estudei no ginásio (sim, no ginásio que era como chamávamos os últimos quatro anos do Ensino Fundamental na época em que eu era só uma adolescente). Sabia que os anos haviam passado de forma igual para todos nós. Alguns de nós ficaram mais gordinhos, outros mais magros, uns perderam cabelo, outros o deixaram crescer... Mas, uma coisa não mudou em nenhum de nós: o sorriso. A capacidade de cativar com o simples ato de mexer os lábios e esboçar algum tipo de prazer ou condescendência ao ouvir antigas piadas ou lembrar de velhas brincadeiras.
Foi incrível ter encontrado ao menos uma parte desta turma cujo sobrenome, ainda hoje, é "Porto Seguro". Foi muito bom ter revisto amigos que me receberam tão bem numa época em que eu me sentia tão insegura e sozinha, longe do meu "habitat" natural, já que era uma recém chegada do Rio de Janeiro, com todos os "xix" e "errrex" que vieram junto comigo.
Lá conheci meus melhores amigos, meu amor... De lá trouxe amigos que são fiéis até hoje, como irmãos que se querem bem e que se procuram sempre que é possível. De lá vêm minhas melhores lembranças de uma época que em que meninas magrinhas e sem graça só tinham apelidos como "olívia palito", entre outros menos gentis. E eu era magrinha... Meu Deus, como era magrinha! Uma verdadeira "Olívia Palito" de longos cabelos. Mas meus amigos nem ligavam... Não ligaram para o meu jeito "carioca" de falar, para minha magreza nem mesmo para minha timidez que procurei esconder nas aulas de educação física, jogando partidas de handebol quando preferia fazer atletismo. Ou quando assistia aulas de alemão, quando preferia estar no coral do professor Isac. Adorei cada momento que vivi no Colégio Porto Seguro.
Espero reencontrar em breve os outros membros daquela turma divertida que hoje são meninos crescidos que não mudaram sua essência, seu sorriso nem mesmo o olhar, hoje apenas um pouco mais malicioso que naquela época.