domingo, 10 de abril de 2011

Porque "Escritora quase bem sucedida"?

Em 1987 meu pai, Olympio Teixeira de Carvalho Filho, escreveu o livro "?Memórias de um Executivo Mal Sucedido". Foi uma época um tanto complicada para ele, porque estava se aposentando da Vera Cruz Seguradora, empresa em que trabalhou toda sua vida profissional, ou seja, mais de trinta e cinco anos. Estava então naquela encruzilhada onde, de um lado vemos: velho e do outro vemos: jovem ainda... Vá trabalhar!
Meu pai resolveu então escrever enquanto montava uma empresa com um grupo de conhecidos no mercado em que atuava.
Sentou-se à mesa, com seu lápis bem apontado e um maço de papel pautado e pôs-se a escrever suas memórias de executivo graduado.
Quando terminou o que considerava um manual de conduta para jovens administradores, deu-se conta de que tinha em mãos uma sátira à real conduta anti ética, diriam, dos chamados executivos de alto escalão e que ele mesmo tinha escapado. O convencionalismo da época era a própria Lei de Gerson: "afinal, temos que levar vantagem em tudo, não é?" - Acho que isso não mudou muito...
Bem, hora de transcrever o manuscrito. Máquina de escrever em mãos (ou na mesa) e... voilá! Saindo uma obra em... Bom, demorou um pouco, porque meu pai não era nenhum exímio na datilografia. Ainda se tivesse os recursos do Word... Ok. Terminada sua obra, era hora de procurar um editor. Saiu com seu original embaixo do braço e bateu de porta em porta até que a Editora Typelaser abraçou sua idéia e publicou seu livro.
Memória de um Executivo Mal Sucedido foi um exemplo de persistência que me ensinou muito do que sou hoje. Li e reli suas páginas e aplico, com uma certa dose de cinismo, confesso, seus conselhos no meu trabalho.
Escritora "quase" bem sucedida é uma paródia ao título do livro de um homem que admiro muito e que me ensinou o valor da ética e do bom senso que todos deveriam ter neste mundo tão complicado.
É a minha forma de homenagear este homem de quem me orgulho de ser filha.