quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quando viramos deuses?


Estou aqui sentada no meu confortável sofá, começando a ficar velhinho, coitadinho, esperando que alguma coisa aconteça. Olho para fora e vejo o céu já começando a esmaecer suas cores, agora que já passa das cinco e meia e penso na vontade que tenho de fazer alguma coisa diferente hoje.
Acabei de passar pela cozinha e meu estômago reclamou. Mas reclamou porque? Acaso não lhe dou sempre atenção quando me pede? Pedi-lhe que ficasse bonzinho e que esperasse a hora certa para recomeçar a gritar. Ainda é muito cedo.
Então voltei a atenção para a tela do meu computador e resolvi que hoje leria todas as mensagens de minha caixa postal, já que faz três dias que não a abro, por pura falta de tempo. Nossa! cento e setenta e seis mensagens não lidas. Como é possível receber tantas mensagens em tão curto espaço de tempo? A primeira coisa que faço é triar tudo o que entra lá. Ok, das cento e setenta e seis mensagens na minha caixa postal, cento e quarenta e quatro estavam divididas entre propagandas de sites de descontos, propagandas de produtos e revistas que vi e propagandas outras. Duas delas me chamaram muita atenção: propagandas de sex shopping. Curiosa entrei no site da primeira, para ver as novidades do mercado. Para falar com toda sinceridade, bem que gostaria de experimentar alguns daqueles itens curiosos e misteriosos. Havia de tudo lá, desde calcinhas dos mais diversos modelos e tamanhos até maquininhas engraçadas e estranhas, para todo tipo de "massagem". Meus olhos iam do arregalado até o semi-aberto, minha expressão ia da mais pura risada até a pior boca de nojo. Como é que se usa "isto"? Como pode ser?
Rapidamente fechei o site, mas havia outra propaganda e, não resistindo a abri. Com algumas diferenças, o conteúdo acabou sendo quase o mesmo. A maior diferença era uma lânguida apresentadora, vestindo um sumaríssimo conjunto de calcinha e sutiã, mostrando a utilização de alguns dos produtos da loja. Uma tola exibição desnecessária, já que o melhor é aprender sozinhos ou a dois. Resolvi que uma hora destas recolho os restos dos meus pudores e entro mesmo num sex-shopping. Mas num daqueles de verdade, para poder avaliar com minhas próprias mãos o que poderia comprar.
Grande e nefasta também esta idéia de fazer malas diretas a partir de nem sei onde. Como será que conseguem nossos e-mails? Tenho certeza de que não dou e nem dei o meu a ninguém que não conheço. Então, como fazem para montar essas listas?
Invasão de privacidade. Big Brother real. Coisas dos últimos tempos.
Como era bom receber uma singela carta entregue por um simpático e suado carteiro. É claro que a Internet facilitou tudo para nos, desde poder falar com o filho do outro lado do mundo num piscar de olhos até as compras que fazemos. Matar um pouco as saudades que temos dos amigos que moram na mesma cidade mas que, por conta do tempo que nunca temos, acabamos falando (falando?) pelos MSNs, Faces, Chats e sei lá mais o que. Ao invés de nos encontrarmos, abraçarmos uns aos outros, nos vemos pelas webcams. Os toques de mãos, rostos parecem estar ficando obsoletos. Sexo também dá para fazer pela Web. Não sei bem como, mas sei que dá. Coisas do século vinte e um... Parece até uma daquelas estórias maravilhosas do Aldous Huxley ou do George Orwell . Me sinto mesmo tentada a perguntar para onde vamos? De onde viemos? O que estamos fazendo por nos ou para nos?
Bem, acho que estas e outras perguntas serão respondidas em algum outro capítulo.