sábado, 21 de maio de 2011

Beleza

Hoje é sábado... Dia de arrumar a casa, lavar a roupa, ir ao salão, cuidar do cabelo... E hoje é só um dia. Um dia para fazer tudo e ainda aproveitar a tarde para um solzinho de outono à beira da Represa de Guarapiranga, enquanto meu time de Rugby preferido se mata dentro do campo para fazer alguns "tries" e ganhar de seu mais bravo oponente. É claro que isso regado a bastante cerveja gelada, muitas risadas e olhares furtivos para corpos suados.
Lembrei-me de quando era bem mais jovem e de quando achava que olhar tirava pedaço... Como sempre, ri sozinha... Naquela época morria de medo de pensar que alguém pudesse estar me vendo olhar outros corpos e achasse que eu estava cometendo algum crime e que iriam correndo contar ao meu marido... Ri mais ainda...
Olhar é a melhor coisa. Depois disso... A imaginação é minha e crio o que melhor me convir. Acho que beleza está aí para ser vista e sem discriminação. Entendi aquela máxima da ciência que diz que o que somos hoje é o resultado das memórias ancestrais da humanidade, quando machos e fêmeas eram atraídos pela estatura e conformação dos corpos, além dos cheiros que exalavam, fatores que propiciaram a sobrevivência da nossa espécie.
Filosofia e sociologia à parte, o que a humanidade fez de sua humanidade é o que menos importa neste momento. Penso que, ao longo dos milênios, nós humanos só vivemos para uma única coisa: sermos bonitos para quem nos interessa. Não importa se mancamos de uma perna, se não temos um ou os dois braços, se um olho olha para o gato e o outro para o peixe ou mesmo se a boca é torta. Importa é que estejamos sempre atraentes para o outro amado. Afinal, o que é beleza? Para uns é a expressão mais exata da perfeição. Para outros é um conjunto de qualidades inexistentes na maioria... Mais filosofia... Não dá para escapar disso.
Estes dias vi um casal totalmente diferente: ela devia pesar uns cento e vinte quilos e medir mais ou menos um metro e setenta e cinco e ele devia pesar uns setenta quilos e era uns cinco centímetros mais baixo que ela. E namoravam sem vergonha nenhuma de sua paixão. Olhavam-se nos olhos e trocavam beijos ardentes e apaixonados, enquanto a mão de um acariciava o cabelo do outro. Alguns olhavam e sorriam constrangidos, não por que estavam ali namorando, mas pela diferença física entre eles. Outros olhavam surpreendidos justamente por isso. Ouvi uma senhora comentando com desagradável humor: "nossa! Que pouca vergonha! Essa garota tão gorda..." É certo que não estamos exatamente acostumados com cenas destas. O que mais vemos são meninas magrinhas e barrigudinhas e meninos cujas franjas são tão compridas que ainda me pergunto se conseguem enxergar alguma coisa. Sem contar com a moda. Vestem-se todos da mesma forma: os meninos com calças largas e cuecas aparecendo (ainda... Já tem uns dez anos que se vestem assim) e as meninas com calças tão apertadas quanto conseguem vestir, geralmente com as barrigas vertiginosamente penduradas por cima dos cintos. Quando o usam... Então, fiquei pensando... Quer saber? Estamos todos morrendo de inveja deles. Cada um de nós gostaria de estar fazendo a mesma coisa, despreocupadamente aproveitando cada minuto passado entre beijos e abraços, carinhos e olhares. É o que falta para todos. Um pouco mais de tempo para nos mesmos, sem pensar em tamanho do manequim, cor dos olhos ou comprimento das pernas.
Para mim, beleza é exatamente isso: aceitação do que não tem explicação. É procurar ver o que há de melhor num conjunto completo e complexo e aproveitar ao máximo as dádivas que, tão amorosamente, Deus nos proprocionou, independente de nossas aparências físicas, por que são exatamente isso: aparências. O que importa mesmo é o que somos de verdade. E isso sim pode ser feio ou bonito.
Por isso, quero mais é que todo mundo encontre felicidade, esteja ela onde estiver, tenha ela a cor e o tamanho que tiver, porque beleza é apenas uma questão de ponto de vista. Discutível, mas aceitável.