domingo, 8 de maio de 2011

Dia das Mães

Acabei de assistir a um vídeo onde uma menininha de uns dezoito meses pedia ao pai que abrisse a porta, numa língua que só pai e mãe entendem.
Fiquei lembrando dos meus próprios bebês e suas línguas absolutamente compreensíveis somente para mim e de como eu me sentia: uma verdadeira deusa. Deusa da compreensão, do amor, da vida... Dos meus filhos.
Hoje, já adultos, olham-me como se agora eu fosse um bebê cuja fala apenas eles podem compreender. Agora me educam e ensinam como um dia já o fiz com eles. E se acham importantes demais para serem contrariados. É claro que os deixo acreditar que assim o sejam. Para mim, eles são absolutamente todo o meu mundo, toda a minha vida. Desde que descobri que havia uma pequena semente em meu ventre, desenvolvendo-se qual uma plantinha bem regada com o meu sangue e a minha vida, descobri que havia nascido para exatamente isso: ser Mãe. Os primeiros sorrisos, nada mais que uma leve contração muscular, encheram-me da mais absoluta felicidade porque sabia que aquilo era de puro prazer. Prazer de sugar do meu seio o leite que matava sua fome de vida, de crescer; prazer de tocar minha pele com suas mãozinhas pequenas; prazer de sentir o meu beijo cálido e maternal em suas bochechas rosadas e puras. Nada mais me importou desde então, a não ser a misteriosa arte de ser mãe. Nada mais foi tão importante quanto a tarefa de ensinar-lhes os primeiros passos, as primeiras palavras, as primeiras letras. Nada me deu mais alegria do que ver-lhes contar-me com os peitos estufados suas primeiras aventuras na arte de tornar-se independentes. Quantas preocupações me assolaram desde então. Perguntava-me todos os dias: será que isso é o certo? Será que não seria melhor deixá-los bem guardados em casa, onde eu pudesse vê-los e cuidar deles pelas vinte e quatro horas do dia?
Hoje vejo dois homens, dois jovens adultos independentes, enchendo-me da mais profunda alegria, cuidando de mim como se hoje eu fosse a filha carente de cuidados. Presenteiam-me não apenas com os presentes lindos comprados das lojas, mas com o seu amor incondicional de filhos. Amam-me mesmo quando lhes dou broncas; amam-me mesmo quando estou ausente, escondida nos meus sonhos ou simplesmente fora de seu alcance visual. Amam-me mesmo sendo eu quem sou, com todos os meus defeitos e qualidades, assim como eu os amo por toda a eternidade.
Assim é o que sei de ser Mãe. Assim sou eu.