terça-feira, 3 de maio de 2011

Estava aqui, sentada em frente ao monitor do meu note, quando dei de cara com as minhas mãos. Puxa vida! Olhei meu rosto no espelho e nem me dei conta de quanto tempo já vivi, quantos anos já se passaram desde que eu andava por aí com amigos cujos nomes engraçados causavam estranheza para quem não os conhecesse, como Cebola, por exemplo. Quantas vezes ouvi aquelas piadinhas sem graça: "Cebola? E o Alho? Não vem junto?" - risos - não tinha a menor graça.
Mas, voltando às minhas mãos, comecei a pensar no quanto elas envelheceram, quantas pintinhas feias e rugas chatas adquiri ao longo dos anos. Procurei ignorá-las, mas... Não tem jeito, elas estão aí. Uso-as para fazer de tudo, desde o simples e singelo ato de acariciar com afeto, devagar como se o objeto do meu desejo fosse de uma seda fina prestes a se romper apenas com um toque, até os mais grosseiros, como limpar ou arrumar um cômodo ou todos os cômodos de minha casa. Então, não tem massagem, ginástica ou creme que ajude. De todos os lugares do nosso corpo, os únicos que não têm disfarce são exatamente as nossas mãos. E não me venham dizer que devo usar o filtro solar, porque passei os últimos quinze anos usando essa meleca diariamente. Não adianta! Quando tem que ser é! Simples assim. E eu nem cheguei ainda na idade que dizem ser a melhor. Então comecei a rir quando me lembrei de frases que a minha mãe diz sobre essa coisa da melhor idade: "melhor idade para que? Para os jovens nos olharem com olhares indulgentes e compreensivos, como se o que falamos não passasse de bobagens senílicas? Isso se nos olharem..." E então completa... "Ah! Já sei, melhor idade para andarmos de ônibus sem pagar, porque já não podemos dirigir e nunca conseguimos sair da fase do 'condor' - com dor aqui, com dor ali."
Minha mãe é mesmo uma sábia. Diz que os lugares mais frequentados pelos "portadores da melhor idade" são justamente aqueles dos quais ela quer distância. "Quem quer ver festivais de rugas e dentaduras? Já me basta me olhar no espelho todos os dias e ao seu pai o dia inteiro. Melhor é estar entre os jovens que têm tantas coisas para nos ensinar." me diz - risos.
Mas ela vê a vida de um modo muito especial. Vê beleza até onde é difícil de pensar que possa ter. É aquele tipo de pessoa que, mesmo quando a coisa está realmente difícil, ainda assim pensa em alguma coisa boa para dizer. É o tipo de mãe que conhece profundamente cada um dos quatro filhos que tem e sempre procura ressaltar só o que eles têm de melhor. É aquela senhora afável disposta a dar um sorriso maroto para uma brincadeira ou um pequeno grito, se isso for acalmar os ânimos acirrados. Bem, às vezes o grito tem que ser grande... - risos.
Um dia meu filho me viu "batendo" um documento em minha antiga máquina de escrever e disse: "puxa, como a vida deveria ser chata quando não existiam computadores!" É mesmo. Só de pensar em pegar folhas de sufite, arruma-las na máquina e só ver realmente o resultado depois de tudo pronto... sem contar as folhas desperdiçadas. Só de pensar na quantidade de papel, fita corretiva, teclas enganchadas... Nossa! Coisas que realmente ficam melhores nos recônditos das minhas antigas memórias.
Mas, divagações à parte, volto a observar minhas mãos, meus dedos rápidos teclando o teclado, enquanto meus olhos correm entre os dedos e a tela. É impossível não lembrar o quanto estes dedos já tocaram inúmeros teclados, desde os dos computadores que já usei até aquelas pesadas máquinas de escrever que ainda habitam nas minhas lembranças e que não me dão nenhuma saudade. Chego à conclusão que ainda vai levar muito tempo para eu me sentir velha... Hoje, apropriando-me de uma frase que ouvi há muito tempo, "sou uma jovem senhora ainda na flor da idade". Com mãos marcadas pelo tempo e tudo. E sou feliz assim mesmo.