terça-feira, 31 de maio de 2011

Os homens que me cercam


Hoje é um daqueles dias em que eu adoraria começar esta postagem assim: "querido Diário..." Então contaria para ele todos os meus segredos de hoje, com riqueza de detalhes, como só para um diário se poderia contar. Não que eu tenha algum "segredocabeludodehoje", mas desejos... Ah! Muitos desejos. Desejos de coisas boas e desejos de coisas bem ruinzinhas, daquelas que dá vontade de rir quando imaginamos a maldade, imitando até aquele emoticon vermelho com chifrinhos e carinha de sacana. Pensando bem, hoje estou mais para coisas ruins do que para as boas. Afinal, coisas boas fazemos todos os dias. Somos legais e bacanas com todo mundo (ao menos eu... Até onde a minha consciência me diz), falamos com meiguice às pessoas que nos falam, cuidamos uns dos outros, elogiamos um bom trabalho, enfim essas coisas chatinhas e morninhas de todos os dias. Mas hoje, especificamente hoje, teria ficado muito satisfeita de chamar o velho bobo se achando a última bolacha do pacote, de ridículo, dizer à menina que, no maior frio da manhã, estava com a bendita calça apertadinha com suas banhas de fora penduradas por cima, o quanto era démodé aquele modelito caído dela, e ao rapaz do telefone o quanto era irritante o jeito dele falar, com os gerundismos característicos de quem acha que está abafando. Teria dito algumas coisas também para outras pessoas ao longo deste dia, mas prefiro deixar prá lá... Assim será melhor para minha saúde, se é que isso é compreensível. 
Concluo, portanto, que hoje estou num dia especial de revolta. 
Assisti algumas vezes o vídeo do Dirty Dancing - The Time Of My Life e fiquei imaginando aquele homem lindo que era o Patrick Swayze dançando só para mim. Fiquei estudando detidamente os movimentos do corpo dele, parecendo uma mola solta, tentando ensinar sua parceira, a Jennifer Grey a dançar e aquilo me remeteu ao tempo das festinhas que frequentei quando era garota, das danças quentes com um menino lindo chamdo Tim que, por algum tempo, foi o único menino que conseguiu me beijar na boca sem me provocar ânsia de vômito e que me apertava em seus braços exatamente como o personagem do Patrick fazia com a parceira no filme. O mais engraçado é que nunca soube se este era o nome dele mesmo ou um apelido. Lembro que numa destas festas ele dançava comigo e tremia. Aflita com aquilo (santa ingenuidade) perguntei-lhe se estava doente... 
Hoje observo os homens, principalmente os da minha geração, os mesmos que curtiam uma festinha e adoravam apertar as meninas. Ficaram carecas ou grisalhos, barrigudos e chatos. Olham-nos (as mesmas meninas que fomos) com olhos sempre críticos, esperando qualquer deslize de gramática como se espera um elevador quando estamos atrasados. Queixam-se da nossa forma de falar, de vestir, de comer e até de pensar, sempre perdendo a paciência quando julgam que não temos condições de entender ou saber aquilo que sabem muito melhor do que Deus. Lembro-me sempre de uma piadinha sem graça sobre um homem absurdamente gordo perguntando à esposa igualmente gorda, onde estava a moça linda com quem ele se casou e ela respondeu que a menina estava na barriga dele que a enguliu há muito tempo. Não posso deixar de pensar que, às vezes, me sinto exatamente assim: engolida pelos homens que me cercam... Não obstante serem homens maravilhosos, cheios de qualidades pois, do contrário, nem estariam à minha volta. Não posso deixar de me condoer pelo tanto que perdem ao abrir a boca para uma palavra desaforada, quando seria tão mais produtivo uma conversa franca e carinhosa, porque sei que, quando têm interesse, sabem ser sedutores, charmosos e lindos ao extremo.
Ah, alguém (certamente um espírito de porco) pode dizer: o mesmo vale para o contrário. Mas falo como mulher, penso como mulher e sei que as mulheres prefeririam mil vezes falar com carinho e atenção do que revidar com desaforos. Claro que, para toda regra há exceções. E loira burra é lenda, não existe, porque só uma mulher muito inteligente se faz de burra. Isso é fato. Às vezes me pergunto: quem tem mesmo TPM? Será que já inventaram um remédio realmente eficaz para a TPM? Se inventaram, adoraria experimentá-lo. 
Nestes homens lindos, maravilhosos e carrancudos que me cercam.