domingo, 15 de maio de 2011

Um dia como outro qualquer...

Domingo, dia de sol, calorzinho morno de fim de outono... Tudo para dar certo. Estou na mesa do café da manhã, satisfeita depois de ter comido frutinhas cortadas e café com leite com pão com manteiga. Tem coisa melhor do que isto? Adoro café com leite e pão quentinho com manteiga. Olho em volta e penso que falta alguma coisa. O que seria? Penso mais e concluo: falta-me paciência. Paciência para lidar com o que não gosto, paciência para falar o que não quero e paciência para olhar o que não é belo. Vontade de jogar tudo fora, comprar tudo novo e começar de novo... Rio por dentro. Imagino a cena. Nela, abro as janelas e atiro para fora tudo o que não gosto ou não quero mais. Vejo espatifarem-se no chão dezenas de objetos que não aguento mais ver e sinto um prazer mórbido de pensar na casa vazia deles. E continuo. Jogo pela janela dias de TPM e fico feliz em imaginar que, jogando fora a minha TPM, as dos outros homens desta casa também irão pela janela afora. Sim, porque TPM é contagiosa. E nem quero explicar muito sobre isso. Explicações inexplicáveis são outras coisas que também adoraria mandar para fora. E detesto ter que ficar explicando coisas inexplicáveis.
O tempo - pouco tempo - passa e logo vem a tarde. Com ela, nuvens carregadas de mau humor, exatamente como o humor masculino à minha volta. Reclamam no céu, roncando seus estômagos, mortas de fome. De tanto sofrerem, choram. Um choro intenso e gelado, em forma de chuva, que molha o que já estava molhado e lava a sujeira, como se ela não tivesse o direito de estar ali. E continua, até que o sol, cansado de tanto querer ficar, adormece e se esconde. Vem a noite e com ela o sono. E depois de um dia inteiro como qualquer outro - bem, nem tanto assim já que o Santos ganhou do Corínthias e tornou-se bi-campeão, enchendo-me da mais pura felicidade santista - adormeci no sofá, totalmente sem cerimônia, ignorando o barulho da televisão à minha frente. Uma, duas horas se passaram e eu finalmente emergi de minha letargia para mais alguns momentos de um silêncio avassalador, apesar do barulho a minha volta. Silêncio estranho dos meus pensamentos, cansados de tanto pensarem. Do turbilhão de desejos que, ainda cedo, me faziam criar imagens, sobraram apenas vagas idéias. Ouvi meu corpo reclamando e levantei-me preguiçosa. Olhando para o lado deparei-me com olhos carrancudos. Tive vontade de rir. Rir alto e rasgado. Daqueles risos que provocam lágrimas... Mas não ri. Sequer emiti qualquer som... De que adianta? O melhor é deixar as TPMs  passarem. Então, cá estou, cheia de idéias poéticas sobre um dia... Um dia como outro qualquer...