sábado, 25 de junho de 2011

Diálogo Poético - Entre mim e Douglas


Douglas:

Sou o que sou!

Ah... Sou o que sou.
No amor ou na dor
a verdade na cor
da palavra ao sabor
do pedir ao propor
sem cair por rancor,
ou morrer sem se por.

Tudo é único e raro...
De um talo a uma flor,
O encantado furor,
que enobrece o tenor,
enlouquece o ator,
e enriquece o favor

De nada serve senão
fazer outro borrão,
chamar de canção
e dançar então,
sem os pés no chão.

Toda noite é um breu,
se não me chama de seu.
Pois o sol se deitou quando você cresceu,
e não mais renasceu,
desde que se perdeu
na imensidão de um céu só meu.

Pelo medo de amar,
deixando de confiar
para não mais perder o ar,
a expectativa criar
sobre o desconhecido mar...

Sem rumo, alto mar.
Imenso mar...
Penso um dia voltar

Não me pergunte quando, 
tão pouco como...

Mas queira ao meu lado estar.

Suzana:

Um escritor, um poeta... 
Ah! Esta genialidade num ser tão jovem... 
Jovem? Será?
Quão velha esta alma, quão jovem esta face...
De doces palavras, de amargas figuras...

Um escritor, um poeta...
Que não calem nunca as palavras,
Que nunca parem os dedos, as mãos,
Que nunca fechem os olhos, 
De doces visões, de lindas imagens.

Douglas:

Tens na escrita o toque suave da enternecida voz que aos ouvidos acaricia,
como se no terno olhar palavras trouxesse
encantando o momento pelo brilho do passado,
e abrindo portas para o futuro.
Pela vida de mulher guerreira que não mede esforço,
Pela procura que faz encontrar,
Pela fala que faz pensar.

Releio então a pergunta que me cala,
se jovem se faz tal genialidade,
o que explica tanta jovialidade na doçura da tenra idade?
O amor que guardas em cada um dos intensos abraços,
encantos de afagos
de graça deixados.

Felizes são os teus que convivem contigo,
como se cada dia fosse único,
e verdadeiramente é.

Felizes somos nós que temos notícia de ti.
Tua felicidade nos enaltece.
Faz honra a nossos olhos ler o que escreves,
traz satisfação a nossos ouvidos entender o que dizes,

Figuras amargas não suprimem razões,
encantos traduzidos de emoções,
encontros perdidos sem explicações...

Que doces visões nunca parem os olhos,
Nem as mãos que fazem palavras,
Nem os dedos que tocam suave
como o toque da mãe
que percebe o medo.

Te acalma meu filho,
que estou longe mas estou perto.

Me acalmo mãe,
pois sinto que está aqui dentro.

Amo-te,

Sempre.

Suzana:

Que bela visão
De olhos claros e ingênuos
Das doces mentiras a uma mãe saudosa
Flores viçosas que ao regato jogas

Fonte inspiradora dos meus versos pobres
És jovem, és velho, és meu filho nobre
Filho das minhas vontades e amores
Ainda que do meu ventre, jovem, não tenhas saído.

Espero-te aflita, um afago desejo
Com minhas mãos ásperas e enrijecidas
De escritas ligeiras, sem palavras ditas
Das ditas palavras, mais que um ensejo.

Leio-te atenta, ainda sem perceber
O quão zelosas palavras me faz entender
O mundo de cores e brilhos, de sombras azuladas
Mais que perfeitas imagens, a vida por saber.