terça-feira, 14 de junho de 2011

Voz... De mulher


Recentemente comecei a me dar conta de que a vida equivale a apenas uma gotinha de tempo. Uma vida vivida por muito tempo pode equivaler a tão pouca sabedoria quanto uma vida vivida por pouco tempo. Isso, é claro, levando-se em consideração as experiências apreendidas, os ensinamentos vividos, o trabalho feito... Enfim, tantas coisas que se usam para medir a quantidade de vida e o que fazemos com ela... Se somos de um jeito, nossa vida é difícil, porque os outros, por natureza, são de outro jeito. Se somos tristonhos, é por que somos tristonhos. Se somos alegres, é porque somos alegres. Nunca se encontra um meio termo que nos classifique.
Muitos dizem que sou alegre, de bem com a vida. Outros me dizem que sou ingênua a ponto de “cair” nas maiores ciladas. E outros ainda dizem que sou “desencanada”, que não penso com seriedade nas coisas importantes da vida. 
Antigamente eu pensava que a vida era uma trajetória interessante de tempo e história. Contava minhas estórias como se elas fossem a minha vida inteira naquele momento. E eram só passagens vividas por alguns minutos ou poucas horas. Mas eu as transformava em aventuras inimagináveis. Sempre soube que tinha uma criatividade fértil, uma mente aberta, teimosa em transformar os momentos mais insignificantes em grandes contos. É como seu eu soubesse que faria parte da História, por toda a eternidade, tendo ela o tempo que tiver.
Nunca acreditei na burrice humana e na maldade alheia. Sempre soube que todos nos, todos mesmo, não somos absolutamente bons ou absolutamente maus, como não somos – todos – absolutamente desprovidos de cérebro ou totalmente inteligentes. 
Paradoxo, não é?
Quando eu era muito pequena, costumava ouvir as estórias que me contavam com os olhos abertos e os ouvidos bem atentos, sorvendo cada palavra dita, criando as imagens que elas continham e vivendo aquele mundo mágico. Eram as estórias de vida de pessoas mais velhas, cujas experiências as tornaram o que eram verdadeiramente.
Pois bem, nesta gotinha de tempo que é a minha vida, resolvi usar a minha inteligência contra a minha burrice. Resolvi fazer das minhas estórias a verdadeira história de minha vida. Tudo quanto eu vivi e aprendi nos anos que aqui estou, resolvi gritar em palavras mudas. Mudas de voz, mas repletas de minhas impressões e experiências, pois papel – ou a tela de um computador – é o ouvido mais neutro que encontrei, é a forma mais pura e verdadeira de apor meus sentimentos, a minha verdadeira voz... A voz de uma mulher.