segunda-feira, 11 de julho de 2011

O quinhão da vida

Lá se foi aquele tempo. Aquele, onde uma linda princesa era protegida por todos os lados, pelos mais belos príncipes encantados. Poderiam ser todos testados, mas isso, não era mesmo necessário. Só queria um deles, nem tão belo, nem tão rico, mas com ele, disse, fico!
Para ela, o mais lindo, o mais garboso. Tinha um sorriso triste e um olhar perdido e, de todos, era o mais querido.
Da princesa fez sua rainha, criou uma bela fantasia. Feliz, deu-lhe lindos filhos, pura alegria. Que linda família!
Mas um dia, ai agonia! uma sombra triste em seus olhos ela via.
Felicidade, ele dizia, era pura utopia. Ninguém, ele pensava, o queria.
O príncipe já não se satisfazia. Não havia mais alegria e os dias, enfadonhos, já não eram mais o sonho.
Os filhos agora já eram crescidos. A linda princesa já não era tão bela e nos olhos dela já viam-se mazelas. O príncipe, sentiu-se preso, como numa cela. O que fazer? Para onde ir? Como responder o que queria saber?
A resposta, pena, viria com uma tristeza. Mas, como evitar com destreza?
Se sozinho ele quer ficar, como tentar demonstrar que amor não se faz calar.
Mas, como amar por dois se ela, em seu coração, não pode mais estar?
Então, o futuro se fez sombrio. E das sombras frias se fizeram os dias. Onde encontrar a perdida alegria? Deixá-lo partir ou vê-lo em tudo fingir?
Então, a princesa, com coragem, com dor, embora o mandou. Viver uma vida sem amor e sem cor também tinha o seu valor.
E do coração pobre e apertado, surgiu a oração: "Deus, meu Senhor, seja meu convidado. Traga-me de volta meu belo príncipe encantado!" E Deus, gentil, respondeu: "Filha, fica alerta, estou aqui porque tua porta está sempre aberta. Sossega teu coração já que da vida ainda tens quinhão."