quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bola de Basquete


Há tempos atrás eu achava lindas as bocas metálicas de minhas amigas e amigos e pensava meio chateada, porque só eu não usava aparelho. Ficava fazendo trejeitos faciais em frente ao espelho, imitando os que via nos rostos alheios. Para mim era o máximo ver meninas usando aparelho nos dentes e mulheres fumando... eca!
Cresci, tive filhos, sofri as dores do meu filho mais velho durante os oito anos que teve que usar os benditos ferros na boca para consertar uma mordida cruzada e dentes ligeiramente tortos e passei a ver os tratamentos ortodônticos com outros olhos. Para mim, todos estes tratamentos não passam de verdadeiras funilarias biológicas, exatamente como fazem os mecânicos nos carros, onde se esticam carrocerias, alinham-se direção e rodas, customizam-se aparências e transformam-se autênticos ferros velhos em carros novinhos em folha. E bocas não são diferentes... Ou corpos... Inteiros.
Há alguns dias estou usando um incômodo aparelho na boca, para corrigir uma disfunção de mordida – bem, acho que a força da minha mordida pode realmente machucar, porque eu tinha uma chata compulsão a mastigar e destruir meus próprios dentes, o que me deu sempre um grande prejuízo em meu bolso...
Lembrei-me imediatamente das dores que o meu filho sentiu, do jeito engraçado de falar, como se uma bola de basquete quente estivesse na boca. Estou vivendo esta experiência integralmente. A diferença? Acho que a diferença básica é que já não sou nenhuma garotinha na escola, tenho que trabalhar e preciso falar. Então, é como aqueles óculos somente de leitura, que passamos o dia inteiro pondo e tirando da frente dos olhos. Tenho que fazer o mesmo quando preciso falar e me fazer entender – cuspo o aparelho na caixinha, falo, enxáguo o aparelho e o recoloco... risos. O dia inteiro... Canso.
Paciência. Disseram-me que vou me acostumar a falar direito mesmo usando a bola de basquete quente na boca. Tomara... Não vejo a hora que isto aconteça.
Minha dentista me disse que depois de algum tempo usando o aparelho, a musculatura da minha boca vai ‘memorizar’ uma nova forma de se ‘comportar’. Interessante...  
Bem, depois de tudo isso, tenho algumas considerações: primeiro: não acho mais bonito usar aparelho; segundo: usar aparelho nos dentes é muito ruim; terceiro: não gosto de bolas de basquete e quarto: ter que levar o carro para consertar é muito caro. Resumindo: melhor mastigar o braço de alguém que esteja incomodando do que os próprios dentes.