terça-feira, 9 de agosto de 2011

Desescolhas


Nem sempre a vida é fácil... Aliás, diria que nunca é fácil!
Somos vítimas de nossas próprias escolhas e elas podem não ter sido as melhores escolhas. Não dá prá voltar no tempo, mas dá tempo para desescolher ou escolher novas escolhas... Só não dá para desescolher filhos ou pais.
Trocadilhos à parte, os problemas que conquistamos com as escolhas, mesmo que involuntárias, são realmente muito complicados. Principalmente se se relacionam à família... Ah... Família. Dizem que amigos se escolhem, família não. Já ouvi outra versão sobre isso: segundo Kardec, escolhemos nossos pais antes de "nascermos", de acordo com necessidades, missão, afinidades ou amor... Acho que prefiro esta versão.
Filhos problemáticos às vezes nos dá vontade de sumir da vista, dar um tempo, sair de férias. O problema é que não dá para deixar de ser pai ou mãe, mesmo que por algum tempo. Mas dá para nos posicionarmos, mostrar nossa autoridade e dizer quem é que manda, mesmo quando pensamos: sim... Vocês mandam!!! rs. 
E quanto aos pais? Puxa vida... Tudo o que querem é nos proteger até o final da vida, às vezes de uma maneira torta, às vezes gritando, às vezes até injustamente, mas sempre nos protegem, mesmo quando a paciência já não é uma virtude e as palavras saem sem nenhuma cerimônia. É uma pena que só entendamos isso quando eles já não estão mais conosco. O que me faz ter mais certeza ainda sobre a versão de Kardec: nos comprometemos mutuamente, nós os pais com nossos filhos.
E quando os problemas são relacionados ao coração? Reclamamos dos nossos companheiros ou da falta deles, queixamo-nos das atitudes duvidosas e até da falta delas... Se "aprontam" qualquer coisa, é por que o fazem, mas se não o fazem são chatos ou indiferentes... Ficamos felizes só com um olhar apaixonado, uma atenção inesperada e até um convite, mas tudo cai por água abaixo dependendo apenas de uma simples palavra ou gesto e até mesmo um olhar... Outro tipo de olhar.
Parece que esta tal de felicidade nunca é muito fácil de ser conquistada. Porque será, já que temos todas as ferramentas para isso? 
Tem gente que acha o máximo estar sempre vigiando os outros ou a si mesmos, à espera de qualquer coisa que possa ser usada para uma crítica ou reclamação. Esquecem-se das coisas boas e simples da vida, como sentir o friozinho que vem junto com o sol tímido da manhã, o cheiro do café fresquinho, o sorriso feliz de quem está ao  lado, mesmo que não esteja na mesma cama e até o latido do cachorro do vizinho que se assustou com o jornal jogado displicentemente pelo entregador. Ah! Como é bom sentir o cheiro da chuva ou ouvir o chão estalando de calor, beber um copo de água gelada quando estamos com calor ou comer um bom prato de arroz com feijão e banana picada... Coisas simples, porque felicidade tem que ser simples.
Podemos, aliás temos o direito de escolher a felicidade. A dúvida só pode ser quanto ao que nos faria mais feliz e não ao que nos faria menos feliz... Escolher ou desescolher é só uma questão de opção, mas a vida se encarrega sempre de nos apontar para o melhor caminho. Às vezes, o que nos faz mais feliz está bem aqui, ao nosso alcance, mas parece que somos cegos e surdos para entender... Então, necessário se faz abrir bem os olhos e destampar os ouvidos... É sempre melhor sorrir do que chorar, ter sonhos singelos e felizes do que pesadelos e pensar que tudo pode ser melhor se quisermos.