terça-feira, 2 de agosto de 2011

Marcas Inesquecíveis

Como é bom quando não temos compromisso, quando vemos a vida passar sem nenhuma pressa, quando estamos num lugar lindo, paradisíaco, onde não entram problemas e aflições e onde o sol, a água do mar e a areia são a maior prova de que Deus existe e de que merecemos toda a felicidade do mundo.
Ilha Bela com amigos, acampando na praia da Pedra do Sino. Porque nem tudo pode ser tão perfeito apesar da prainha pequena e gostosa, areia grossa e mar gelado... Borrachudos... Hordas de vorazes e minúsculos vampiros que infernizaram nossos dias e noites sem tréguas. Nossos estoques de repelentes oleosos não podiam baixar de jeito nenhum... Bom para os vendedores. E bom para as farmácias também, já que remédios anti-alérgicos estavam no topo dos mais vendidos.
Lembro de um passeio até a praia de Jabaquara lá pelas quatro da tarde de um dia quente e ensolarado. A estrada para lá estava vazia, ao contrário da estrada de volta... Congestionada. Estranha forma de terminar um dia lindo como aquele, dentro de carros fechados suando mesmo com o ar condicionado ligado e aguentando o mau humor das crianças pequenas e inquietas. Olhávamos tudo aquilo incrédulos e cheios de porquês. Mas, em poucos minutos, estaríamos na famosa Jabaquara.
Chegamos... Jabaquara é uma praia interessante, de caiçaras, com um costão de pedras onde se pode praticar mergulho. Não é uma praia linda, mas é muito agradável... Será? Tiramos as esteiras, o equipamento de mergulho e o frescobol do porta-malas e corremos para a praia... Para a água... Nuvens escuras de borrachudos vieram provar o sangue novo que acabava de chegar. Cobriam nossa pele como se fosse filtro solar. De repente entendemos o porque da debandada geral... hora do jantar...
Ficamos lá o suficiente para um rápido mergulho, afinal os meninos estavam loucos por isso e uma breve tentativa de jogar frescobol, enquanto o repelente não perdia o efeito. Voltamos para o conforto de nossas barracas com proteção anti-mosquito e tratamos das nossas mordidas cocentas.
No dia seguinte iríamos para as cachoeiras. Caminho bonito, vapor de água no ar, um cheiro de terra molhada e mato úmido misturado à maresia... Algumas pedras para escorregar, maiôs rasgados e bumbuns ralados depois, voltamos para o acampamento, porque aquele seria o último dia do ano e tínhamos um peixe para assar e carne para temperar.
Quando finalmente chegou meia noite, fiquei maravilhada com os fogos de artifícios tanto da Ilha quanto de São Sebastião, numa profusão de luzes e cores incríveis. Pena que não tinha uma câmera de vídeo para gravar. E para coroar uma noite que já estava prá lá de perfeita, uma enorme e brilhante lua. Linda. Prenúncio de um ano novo perfeito.
Mas, como nos contos da vida real, o feriado acabou, os pequenos vampiros ficaram para trás deixando suas marcas inesquecíveis e a vida continuou seu passo, nem rápido, nem lento; alguns dias perfeitos, outros nem tanto, mas... Vida real é assim mesmo: nada perfeita, apenas real...