quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Vingança

Domingo foi o Dia dos Pais. Um dia inesquecível... Levei três dias pensando nele e acho que ainda vou fazer isso por muitos mais...
Poderia ter sido um domingo como qualquer outro: dormir até mais tarde, acordar com café da manhã e sobremesa (não necessariamente nesta ordem), ver todos os canais de esporte disponíveis na TV deitados nos sofás da sala e escolher um restaurante interessante e gostoso para almoçar. De repente assistir um filme legal no cinema ou fazer um outro passeio qualquer para animar o dia...
Mas não foi assim... Inacreditavelmente acordamos cedo e tomamos um café da manhã gostoso com direito a muitas conversas e risadas gostosas e calorentas. Coisa quase rara em tempos em que nunca dá tempo para isso. Estávamos com preguiça... Aquela preguiça gostosa, pasmaceira mesmo. Estávamos quase certos de nem sairmos de casa e assistirmos um jogo de futebol pela televisão à tarde. O tempo estava mesmo propício para isso: nublado.
Com as horas passando e sendo Dia dos Pais, no último momento resolvemos sair. Combinamos o restaurante e, chegando lá, resolvemos ir ao jogo de futebol, ao invés de assisti-lo pela TV. O problema é que não era jogo do Santos. Era Corinthians e Ceará. Fui... Assistir a um jogo de futebol com a família, não tem preço.
OK, reconheço: ouvir o refrão dos torcedores "loucos por ti Corinthians" ao vivo e em cores foi uma experiência muito interessante. Diria mesmo arrepiante. Isso, sem contar com a entrada do "bando" no Pacaembu... Bizarro. Tive pena do pequeno público cearense, relegado a um segundo e escondido plano, bem no cantinho do estádio.
Peguei-me aplaudindo um quase gol do Jorge Henrique e fazendo "uhs" a cada jogada do Timão que poderia resultar em gol e não foi. Também peguei-me estasiada e até emocionada (pasmem) com a pintura de gol que foi o do Alex. Meu Deus! O que foi aquele gol... E o Ceará empatou no finalzinho do segundo tempo. Saí do estádio com frio, embaixo de garôa e não pude deixar de me sentir muito bem, sabendo que o time do coração do meu marido e filho mais novo não conquistou a liderança isolada.
Dizem que vingança é um prato que se come frio... Quem disse isso, ao menos no meu caso, acertou em cheio. A vingança do Santos por eu ter cometido essa pequena infidelidade, estou sentindo até agora. Mal consigo andar de tanta dor nas costas. Depois de um mal jeito, dor é apenas um eufemismo para o que estou sentindo. Respirar é desconfortável, sentar é desconfortável, deitar nem se fala e andar... Pior ainda. Resumindo: estou me sentindo bem arrebentada. Parece até que estou ouvindo meu Santos rir de mim e me dizer entre-dentes: "não esqueça, trair-me faz mal à saúde".
Justifico que foi apenas por que era Dia dos Pais mas, quem nunca traiu uma vez na vida? Quem nunca se arrepiou com uma imagem linda ou uma figura sarada de tanquinho no tórax bem malhado? Expliquei isso ao meu Santos e ainda fui mais longe: quem mandou você perder por dois a zero de um timinho insignificante apenas um dia antes? Ao que ele me respondeu: "ah! é assim é? Vingancinha boba essa, né? Então, só vai voltar a andar direito depois de pagar penitência. Só então te perdoo por me traíres."
Perdão Santos meu! Amo-te incondicionalmente prá sempre!