segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Infelizóstema e a câimbra

Estava sonhando... Tenho certeza! Era um sonho! Um daqueles sonhos esquisitos, no qual estava andando a procura de alguma coisa, mas nunca conseguia chegar e tinha sempre um barulho que entrava pelos meus ouvidos, como se fosse um daqueles insuportáveis mosquitos de beira de rio. Me dei conta que estava sonhando... Acordei e, ainda com os olhos fechados, fui tentando encontrar algum sentido para o que me incomodava. Era mesmo um barulho irritante... E parecia estar perto... Perto demais.
Finalmente abri os olhos e olhei em direção à janela. Nas frestas da cortina pude ver que o dia já dava o ar de sua graça e o sol começava a lamber de rosa e amarelo a veneziana fechada. Espreguicei-me preguiçosa, ainda meio incomodada com o barulho, mas tentando não dar-lhe mais importância do que ele realmente tinha. Ouvi os barulhinhos da casa e concluí que já estava mesmo na hora de levantar-me. Abaixei-me para buscar os meus Crocks vermelhos de todos os dias. Não pude levantar-me... A dor começou no pé direito e foi subindo pela perna como se uma mão enorme e gelada apertasse a pele até quase esmagar tudo. Parou no meio das minhas costas numa câimbra de dar medo. Perdi até o ar... Quase não podia respirar e a dor só aumentava. Tentei gritar e o grito calou antes de se fazer. Fiquei quietinha, agachada como estava. Dor...
Fui respirando bem devagar, como se andasse pé ante pé sobre casquinhas de ovos. Comecei a me mexer lentamente, tentando enganar a dor. Finalmente consegui me erguer o suficiente para andar até o banheiro. Uma ducha bem quente vai ajudar - pensei. É, ajudou mesmo. Ao menos comecei a relaxar e então pedi uma massagem nas costas para desfazer o enorme, gigantesco nó - era o que eu imaginava que tinha acontecido - bem no meio das minhas costas. A massagem foi legal, mas ficou aquele gosto de quero mais, preciso de mais, faz mais um pouco?
Agora estou aqui, me lembrando dela - a dor - que começou de novo, depois de algumas horas de trégua... Acho que vou chamá-la por algum nome, um daqueles nomes bem estapafúrdios, que a gente só ouve uma vez na vida e nunca mais quer ouvir, tipo Azedolina, Infelizóstema, Horripilina, ou outra coisa deste tipo...
Hoje, não vejo a hora de voltar para casa, tomar outro daqueles banhos bem quentes e demorados, deitar na minha cama e pedir aos Céus que me faça dormir sem sonhos esquisitos e barulhos insuportáveis. E então, quem sabe amanhã acordo nova em folha, sem nenhuma Infelizóstema a me arruinar o dia, com seus dedos gelados e grandes a apertar minha perna e me provocar câimbras...