terça-feira, 15 de novembro de 2011

Desejos...

Três dias de chuva... No primeiro, garoa... Fininha e molhada. E eu estava na praia. Molhei os pés na água salgada e pedi à Mãe Iemanjá que me concedesse meus desejos e me livrasse de todos os males. Senti nos pés a areia dura e fria e pensei no Sol escondido e quente, zangado talvez... Eu estava feliz. Brilhante por dentro, como o sol que não podia ver, mas que sabia que estava lá, atrás das nuvens, à espreita, como um espião em busca de algum mistério, um segredo.
No segundo dia, uma meia trégua pela manhã, um mormaço quente e abafado e uma vontade de tirar a roupa e deixar a pele esquentar, tornar-se rosácea e com cheiro de mar. Não houve nem tempo. O céu ficou bravo e briguento e mandou-nos chuva forte com trovões. O barulho era maravilhoso e assustador, como os meus sentimentos e desejos. Colei meu rosto no vidro da janela até que o calor do meu rosto esfriasse. O vento forte que mexia desastradamente as folhas das palmeiras e derrubava as poucas e frágeis pitanguinhas entrava pelas frestas da janela trazendo o cheiro inconfundível de maresia e mofo salgado... Estava com saudades...
Então, terceiro dia. Um dia que começou molhado, com chuva forte no telhado e cheiro de café e pão torrado. Hora de voltar para casa... Hora de dizer "até logo" para o mar, para a areia... Hora de voltar ao asfalto... E a chuva cai, brava e violenta. Os raios lambem o céu com volúpia e ribombeiam barulhentos, cínicos e raivosos. Pensei no Sol, escondido e frustrado, não mais espiando, mas espreitado com ansiedade e vontade... Vontade de ver tudo secar e esquentar, vontade de finalmente tirar a roupa e queimar meu corpo branco e invernal, de fechar os olhos e sentir a carícia da brisa morna e suave arrepiando minha pele, como num beijo no pescoço...