sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Loucura

Ouço vozes. Vozes de todos os tipos. Às vezes quase me ensurdecem, às vezes quase não as ouço... Às vezes são roucas, às vezes me deixam louca... Dizem-me coisas insanas, quase profanas. Falam-me ao pé do ouvido o que é devido. Às vezes vêem-me na cara tirando-me sem pena a máscara. Ou as vejo nos olhos, naqueles que me assombram. Quebro então os ferrolhos e rezo para que não me encontrem.
Ouço vozes... Causam-me arrepios, tiram-me todo o meu domínio.
E ainda ouço vozes... Vozes? Ouço agora apenas uma voz... Uma voz rouca, cheia de desejos, de volúpia, mais que um ensejo... Dita atrás da nuca, quase muda, me deixa maluca. Sopra palavras desconexas... Estou perplexa!
De onde vêm estas vozes! Será dos vivos? Será do mundo que não vejo? Será dos meus desejos? De onde vem a voz, aquela quase muda, que roça a minha nuca como a mão que afaga a pele e que o fogo não apaga? Talvez venha de mim, penso. Talvez venha do outro... Daquele que não vejo e que está ao meu lado... Daquele que quero e para quem não peço.
Há mesmo mais coisas entre o Céu e a Terra do que a nossa vã filosofia pode supor...