segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perfume de Jasmim

Qual é a dor mais doída? Aquela que pinça o corpo, a pele ou aquela que atiça a alma, que fere? O que fere mais? A faca que afunda no coração ou a palavra dita com tanta emoção?
Muitas vezes penso num casulo... Um pequeno e aconchegante útero onde poderia esconder-me de tudo e sentir-me protegida. Mas isso nunca vou poder ter... A vida, a luz, estão a minha volta, chamando-me impacientes para verdades inefáveis.
É como a saudade do que nunca tive, a vontade do que ainda não tenho, o desejo do que não veio, as cores que não vejo...
É como o cheiro do bolo assando, das flores de manhã e do vento de chuva... Lembranças presas na pele, na alma... Cheiros que tocamos... Visões que sentimos... Dor?
Qual é a dor mais doída? A dor da cabeçada na parede ou aquela de palavras ditas injustamente?
Qual é a dor?
Pergunto de novo para Deus quando será a hora? A hora de abrir a porta, de deixar entrar a vida, de vestir um vestido bonito e calçar sandálias alegres... Sair batendo os saltos barulhentos no chão, deixando o perfume de jasmim por onde passo, como a marca de minha vida... Sem dor.