sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vermelho Pecado

Hoje saí de casa pensando. Olhei para o céu e ele estava limpo e azul. Fazia muito frio e eu teimosamente me recusei a vestir o casaco. Rosa, como estavam os meus pensamentos... Sorri. Sorri pensando nas cores do meu mundo, classificando cada uma delas - as cores - de acordo com os meus sentimentos: azul para o frio, rosa para os pensamentos mornos, verde para o que gosto, vermelho para a paixão-calor, preto para o desgosto, roxo para o que dói, amarelo para o que é divertido, o branco para o que é puro e limpo, marrom para o invertido e difícil, cinza para a falta de esperança e turquesa para a esperança.
Nesta manhã meus pensamentos eram rosa, quase azuis. Eu tinha um buraco vermelho em meu âmago, mas o preto insistia em gritar. Fui ficando cada vez mais roxa, sem ver a saída para o verde. Tentei pensar num aparte amarelo e me lembrei... Nem sei o que... Ficou tudo marrom.
É mais fácil pensar desta forma. Na forma das cores... Cores têm forma? Como seria a forma do vermelho? Seria a forma de uma grande cama para amantes ardentes, ou teria a forma de uma banheira cheia e quente? E o azul? Teria a forma de uma pedra de gelo ou de um olhar de pedra? Palavras e mais palavras nos tornam prolixos, repetitivos... Cores são únicas, nos tornam especiais, quando já não o somos. Tiram o cinza de nossas vidas, quando só queremos tudo verde, amarelo e branco. E vermelho... Pecado.
O mesmo pecado original... O pecado na cama, nas idéias e nos desejos... E sem fama.
Meu pensamento voa... O céu, à esta altura, já não está tão azul, mas meio cor de rosa. O frio já não é tão intenso e agora me remete a qualquer coisa meio amarela. Vislumbro no horizonte umas centelhas turquesas.
Sim, porque não? Turquesa.
Olho nos olhos dos homens e vejo o arco-íris de todos os deuses. Pensamentos e palavras... Peço a Deus que me ensine as palavras certas, os gestos certos e as maneiras corretas e que me encha das mais perfeitas cores, mesmo que as palavras em mim se calem, mesmo que minha boca se feche e meus dedos se aquietem.