sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

As coisas que eu mereço

Tinha frio nos pés... Mãos geladas... Roupa de verão, inadequada para um dia como hoje. Olhei-me no espelho e fiquei espantada. Dei-me no rosto leves palmadas, pois estava branco leitoso. Era o frio. E o cansaço. Não um cansaço cansado, mas um cansaço de olhar coisas feias, ouvir coisas feias e sentir coisas estranhas. Uma estranheza que surgia de minhas entranhas. Um quê de tragédia e um muito de comédia. Pensava se ria ou se me movia dali com pressa, para esconder-me atrás da porta, sem frestas.
Pensei em todas as coisas... Como são tantas as coisas e tão poucas ao mesmo tempo! Pensei de novo em como estava incoerente. Tinha vontades... Vontades quentes, latentes... Vontade de ter, de querer, de fazer... O que? Eu mesma estava pouco consciente. Tinha desejos... Desejos ardentes. Ouvia Beatles e pensava na vida indolente. Vida sem compromissos, sem rumo... Como se a Lua estivesse à um pulo. É como amar todos os oito dias da semana, sem trégua, sem medida, ouvindo rock na mesma batida, gritando a favor do vento, queimando a cara no sol sonolento. Queria tudo... Como um pássaro, alçar voo. Não pensar no que é supérfluo, não querer o que não é certo. Mas querendo...
Penso nas coisas que mereço... O que realmente mereço? Será o que posso ou o que devo? Será o que quero ou o que não quero? Mereço? Sim, mereço ver coisas lindas, viver muito ainda, mereço sentir todos os prazeres, todos os tremeres, todos os amores...