sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Pecados

Gula... Ah gula. Quando me deparei com aquela travessa retangular enorme, cheia de pavê de doce de leite, entendi definitivamente o significado deste pecado capital. Com que prazer levei cada colherada perfeitamente simétrica daquela delícia doce, perfumada, crocante, cheia de promessas sutis - bem, nem tanto assim - de calorias, de calor, de uma alegria quase infantil de aproveitar aquela sobremesa ansiada que a nossa mãe fazia e que nos comíamos como prêmio.
Da gula para a luxúria foi um passo... Ou um átimo de pensamento... Como não comparar o desejo de uma delícia doce como aquela com aquele desejo contido, que provoca uma certa falta de ar, um bambear de pernas, uma suadeira sem calor, uma tremedeira sem frio...
E me torno avarenta. Quero tudo para mim. A porção inteira, seja ela que porção for... Não quero dividir com ninguém. Não dou, não empresto e nem deixo olhar (risos). E se alguém quiser testar e resolver tirar-me algum bocado, que seja um bocado da minha ânsia, apenas para me deixar satisfeita, feliz, porque eu mereço ser feliz. Afinal, sou linda, inteligente, criativa, nada modesta e acho o máximo ser assim. Vaidosa? E qual é o problema? E isso não tem nada a ver com soberba, porque sou o que sou e adoro ser assim.
Mas no final de tudo, o melhor de se cometer todos esses pecados maravilhosamente nefandos, é cometer aquele último da lista: deitar-me à uma sombra, sobre uma superfície macia e cheirosa, curtindo aquela brisa quente que arrepia a pele e começar tudo de novo... Ah! Preguiça gostosa...