terça-feira, 27 de março de 2012

A Bromélia Vermelha

Naquele pequeno espaço entre o carro que me trouxe e a porta da minha casa, foi suficiente para me encharcar. Mas a chuva não me incomoda. Parei antes de subir os poucos degraus para observar a enxurrada correndo rápida e trazendo consigo terra e fibras de coco. Como assim? Olhei para cima e vi que um dos vasos do meu pequeno jardim jazia deitado, seu conteúdo, uma pequena muda de bromélia vermelha, espalhado pelo piso branco. Quase chorei. Naquele momento, tudo o que eu queria era 'salvar' minha plantinha. Entrei correndo, sem ligar para o fato de estar pingando e fui pegar pazinha e pó de casca de coco para refazer o vaso. Pronto, recoloquei-o devagar na estante e reparei que o resto das plantas estava seco. Tratei de pegar a mangueira, quase rindo por estar fazendo tudo isso embaixo da maior chuva, e fui molhar minhas queridinhas. Mas olhei para o piso - branco - e vi que havia terra escorrida  por todo lado. Bem, eu já estava molhada mesmo, a chuva não tinha jeito de querer parar e a oportunidade era ótima para lavar a área. Então, lá estava eu com uma mangueira de água na mão "regando a chuva". E eu ria feliz porque estava com muito calor, a chuva era muito fresquinha e minha roupa grudada me fazia cócegas. Olhei meus pés descalços e tive vontade de escorregar, como fazia ainda criança, quando minha mãe lavava a varanda e ralhava comigo com medo que eu caísse e me machucasse. Resolvi nem tentar, porque estava de vestido e não ia ficar nem um pouco à vontade se acaso caísse com pernas e tudo o mais para cima. Concordo, seria bem engraçado. Sentei-me então no degrau da escada e fiquei olhando a chuva lavar a rua, carregando folhas, flores e vários tipo de papéis jogados como lixo... Pena, pensei... Vai tudo para o bueiro. Com sorte não entope. Mas, o que me anima, é que ainda vai haver muita chuva pela frente para me divertir.

6 comentários:

  1. Que crônica deliciosa! Até me fez pensar em gostar de chuva, eu tão antagônico a ela.

    E a bromélia, sobreviveu?

    Beijo!

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    1. Sobreviveu sim Fabrício! É uma menininha muito forte e saudável.
      Obrigada pela visita... Adorei!
      Bjusss

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  2. Chove chuva! Chove sem parar...até as pobres plantinhas não tem mais como viver em liberdade...estão tão cativas como nós, aprisionadas em vasos apertados e sujeitas ao nosso humor para sobreviverem...eita cidade grande, sô! Agora só falta eu ouvir dizer de uma crise de moradia entre os insetos também. KKKK

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  3. Eu vi a cena. Eu vi, não estava, mas eu vi.
    Os detalhes que contou, com outros que imaginei: o reflexo do dia, do céu, na água esparramada do quintal, o vento que mesmo pouco mexe com coisas e os barulhos de tudo isso. Eu vi, eu vi a cena.
    Eu não estava lá, mas eu vi.

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    1. Em vendo a cena, certa estou de que fustigado pelo vento e pela chuva ficou. Os cheiros e sons da chuva se fixaram em nossa memória como uma luva...
      Obrigada pela gentil visita, espero que ache minhas escritas sempre bonitas...
      Bjusss

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  4. Gosto muito da forma que você escreve, as palavras brotam com facilidade, e é fácil imaginar cada acontecimento: as jabuticabas, o granizo, a chuva torrencial...Continue a nos presentear com tão lindas crônicas!

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Comente. Vou adorar ler.