domingo, 4 de março de 2012

Mulher

Oito de março... Dia Internacional das Mulheres... Nosso dia. Nosso único dia no ano. Que valor temos nós, mulheres, para ter um dia no ano em nossa homenagem? Nós que passamos todos os dias de nossas vidas cuidando dos nossos, orgulhando-nos das pequenas vitórias de cada um deles - filhos, maridos, companheiros, amigos. Nós que passamos a vida trabalhando dentro e fora de nossas casas, cuidando pacientemente de cada detalhe das vidas "deles", ouvindo caladas todas as suas reclamações e reclamando sozinhas de nossas próprias dores, sejam quais forem. Afinal, "eles" quase nunca têm paciência para ouvir nossas queixas, quando existem, já que estão sempre tão ocupados em cuidar de seus próprios assuntos, de preocuparem-se com o quanto ganham ou se o time de seu coração ganhou o jogo ou não...
Sim, também sentimos dores, sofremos, ficamos nervosas, sem falar das terríveis TPMs, tão comentadas entre "eles" e tão mal compreendidas. Quantos "eles" atribuem nossas crises nervosas à esse período do mês em que temos todo o direito de ficarmos nervosas, sensíveis, chorosas... Quantos dias por mês aguentamos as TPMs "deles"?
Há tempos atrás, depois de alguma barbeiragem no trânsito - que, é claro, só as mulheres cometem - ouvíamos afrontadas e incrédulas um ofensivo "volte 'prô' tanque dona Maria!". O engraçado é que nunca ouvi alguma coisa do tipo "volte 'prá' televisão, seu João", ou "vá jogar baralho, seu Ramalho!"... Isso sem falar no culto aos corpos esculturalmente magros das mulheres. O que antes era considerado sinal de saúde, hoje é estigma. Mulheres gordinhas são mal vistas até por elas mesmas. Homens gordinhos são engraçados, bonachões e muito pouco discriminados pelas mulheres. Afinal, o que é uma barriguinha neles? Apenas umas cervejinhas a mais nos finais de semana. A barriguinha nas mulheres? Sinal de desleixo, falta de auto-estima, entre outras explicações...
Hoje trabalhamos em escritórios, somos garis e até pedreiras. Frequentamos bares, baladas e até a Presidência da República. Mas ainda somos o sexo frágil. Frágil? Como assim? Quebramos? Hummm...
Então, somos diferentes dos homens. Sim somos...
E ainda bem!
Gostaria que houvesse um dia dedicado aos homens também. Então poderíamos falar dos homens que nos amam incondicionalmente, sem ligar para o fato de estarmos gordinhas ou mais maduras, que nos sorriem orgulhosos de nossos feitos, sejam eles dentro ou fora de casa, que participam de nossas vidas, partilhando pias cheias de louça, cestos de roupa abarrotados, o fogão no final do dia e até a direção do carro, quando estão cansados e se encostam no banco do passageiro para cochilarem sem sobressaltos ou medo de que venhamos a cometer alguma barbeiragem...
Feliz todos os dias do ano para mulheres e homens, sejam elas ou eles quem forem, com suas opções de corpos ou sexo, com filhos ou não, com todos os direitos, desejos e vontades que tiverem...