terça-feira, 13 de março de 2012

O pião feliz

Estava colhendo pequenas e doces jabuticabas nas pequenas árvores meio esmagadas entre o passeio e o muro, no jardim. De repente uma pedrada nas costas. Ai! Apenas um susto, mas logo sentiria mais uma. Olhei devagar para cima e o céu estava totalmente escuro e gotas grossas de chuva misturadas ao granizo esparso tombavam das nuvens baixas. Escondida na pequena copa da jabuticabeira, dei-me conta que a ação era inútil para me proteger do aguaceiro. Estava encharcada. A água descia pelo meu cabelo e escorria pelo pescoço, provocando um arrepio. Fugi rápida para dentro da casa, quase arrependida. Preferia ficar lá fora, ouvindo o estrépido da água enfurecida, instigada pelo barulho dos trovões que, bravos lançavam seus raios em todas as direções, clareando em riscos o pretume da hora.
Logo apareceu uma toalha para me secar. Olhei bem para aquele pedaço felpudo de tecido absorvente e pensei: para que me enxugar? Afinal, está um calor de ninguém aguentar... Mas logo a voz ao meu lado, em tom de censura, foi logo dizendo: enxuga logo antes de gripar! Ai gripe... Prefiro bem espirrar do que desta alegria me privar. Corri lá para fora e feliz me pus a rodar tal um pião feliz depois que do barbante apeou.
Fiquei seriamente molhada, mas totalmente recompensada. A chuva lava o corpo e a alma e isso sempre me acalma...