terça-feira, 20 de março de 2012

Outono

Abri a janela e senti o vento. Era um vento fresquinho, quase gelado que me trazia um cheiro bom de folhas amarelas e terra molhada, molhada do orvalho que caiu durante a madrugada. Respirei fundo, sentindo o Outono entrar para dentro do meu corpo como um invasor bem vindo, um amante esperado com ansiedade para me dar todo o prazer que mereço.
Dei-me conta de que finalmente acabou o calor. Aquele calor sufocante, sempre me incomodando, me impedindo o sono, me grudando a roupa na pele e me tirando a vontade de quase tudo...
Vesti então o vestido vermelho, calcei as botas pretas - prêmio para o primeiro dia de Outono - engoli o café com leite e saí correndo. Aquele breve momento de contemplação me atrasou. Enquanto andava, espiava as casas vizinhas em seu momento de acordar. Pessoas saindo, algumas de carro e outras a pé como eu, mal se deram conta de que o tempo mudou, os cheiros eram outros e as cores mais amarelas eram as que estavam em toda a volta. Apenas eu parecia estar aproveitando.
Andar a pé hoje foi um exercício de prazer. Comecei a pensar no desejo que mais queria realizar, aquele que cultivei por todo Verão: sentir frio. Está bem próximo agora, o que me faz sentir certo frenesi. Sonho com o momento de vestir meu enorme pijama de flanela quente, com a manta fofa e quase pesada e calçar minha linda pantufa de ursinho... Ah Inverno! Época dos abraços e beijos quentes, época das reconciliações, encontros e reencontros, época dos sonhos mais doces e coloridos...