sexta-feira, 23 de março de 2012

Velho Romance

Olhava distraída pela janela do metrô quando ouvi um murmúrio ao meu lado. Havia um casal de olhos nos olhos e mãos grudadas conversando baixinho entre risinhos furtivos e selinhos sutis. Interessei-me discretamente. Observei que o casal era bem diferente dos casais de namorados a que estamos acostumados a ver em todos os lugares e pelos quais passamos reto, talvez por medo de sentirmos certa inveja... Os dois apaixonados tinham os cabelos brancos, usavam óculos e o homem, todo sorrisos, portava uma elegante bengala. Alguns, ao virem o casal, viravam os olhos numa expressão típica de "ai que horror!", outros olhavam enternecidos. A menina que estava ao meu lado rio envergonhada e comentou sobre a "falta de pudor" do lindo casal. Eu, por minha vez, sorri discreta e pensei no quanto gostaria disso para mim e para todos os casais, independente de sua idade. Senti uma grande felicidade... Por eles. Então perguntei à menina: "Seus pais ainda estão juntos?" e ela respondeu-me: "os meus e os de todos os meus amigos não estão mais juntos!"... Achei melhor nem comentar. Apenas afaguei compreensiva a mão dela e saí.
Andei pela rua a caminho da minha casa vendo as pessoas que por mim passavam. Caras sisudas, olhos quase amedrontados, bocas apertadas e mãos quase desocupadas. Pensei em mim mesma, sempre pensando nas minhas estórias, num mundo de lua só meu, onde todas as minhas aventuras e romances secretos acontecem... Fico feliz por ser assim, por gostar dos velhos romances, por amar os jovens velhos que não têm vergonha de mostrar seu amor, por rir das caras feias dos outros e por achar que o mundo é muito melhor do que pintam. Otimismo demais? Sei lá... Só sei que nisso tudo encontro a minha felicidade.