terça-feira, 24 de abril de 2012

Chá de paciência

Senti que chegava bem devagar... Envolveu-me sem nenhum pudor, sem nenhuma vergonha. Sua felicidade reside no fato de deixar-me infeliz mas, como amante fugaz, não se furtou. Meu corpo foi tomado por um calor frio, minha pele arrepiada clamava por mais calor e o calor de mim fugia, à revelia. Minhas mãos tremeram, minha voz falhava e a boca seca sonhava com momentos de menos agonia. Meu olhos lacrimejavam emocionados e tudo o que queriam era a paz que não encontravam.
Meu corpo trêmulo recusava o movimento. Toda minha vontade não era suficiente para que ele - meu corpo - se mexesse. Estava ali prostrada à espera de qualquer coisa que aliviasse aquela tortura...
Desejei com todas as minhas forças que algum salvador me trouxesse um simples comprimido... Algum remédio que fizesse a febre baixar e a gripe - esta amante indesejada e irritante - me abandonasse de vez.
Ah um chá! Bem quente. Não precisa nem adoçar, já que gosto não sinto mesmo, mas capaz de me trazer de volta a umidade na minha boca seca. Pode até ser aquele de alho com guaco que eu tomo de bom grado...
Ai esta maldita gripe...