sábado, 28 de abril de 2012

Decisão Errada

Havia um certo clima tenso no ar... As pessoas olhavam-se nervosas, sem saber o que esperar. Algumas cochichavam motivos, outras ficavam caladas, pensando em seus destinos. O barulho, meio surdo, quase eufórico bem que podia ser tocado. As crianças estavam cansadas, agarradas às saias e calças, algumas até choravam, enquanto outras sorriam resignadas. De repente um zum-zum ao longe... Todos os olhos se levantaram para ver e um murmúrio fez-se ouvir da multidão que esperava. O zum-zum foi tornando-se cada vez mais alto e o murmúrio foi ficando mais intenso. De repente, um grito! Um arrastar de pés e semblantes mais confiantes, mais contentes... É ele! É ele! Finalmente! Já não era sem tempo...
Mas, perto dali, outros tornaram-se bravos, gesticulavam as mãos e batiam com os pés no chão. As crianças, agarradas às calças e saias destes, calaram-se, quase assustadas. Onde está o nosso! Porque não chegou ainda? Tinha que chegar antes! Alguns reclamaram, com razão e uma nova enxurrada de fiscais correndo de lá para cá, dando justificativas quase inocentes, quase indecentes, do tipo "não tenho culpa, é o trânsito!"
Bem, pegar um ônibus para São Paulo, na Rodoviária de Santos, às seis e meia da tarde de uma véspera de feriado é, no mínimo, a decisão mais idiota que eu podia ter tido... E tive. Azar o meu, que fiquei quase uma hora esperando o bendito ônibus encostar. Da próxima vez que for visitar meus pais, vou lembrar desta saga e escolher outro dia... Um mais calmo.