sexta-feira, 6 de abril de 2012

Saúde!!

A superfície lisa e fria sob minhas costas começava a incomodar. Abri os olhos e os fixei na lâmpada apagada pendurada no teto. Tentei olhar para os lados, mas uma força invisível e implacável me impediu de virar para o lado esquerdo. Desmaiei, concluí quase calma. Então, da constatação passei à formulação verbal de um simples nome: Marco. Outra força invisível e implacável resolveu impedir-me de pronunciar qualquer coisa inteligível e nisso, ouço ao longe o meu nome. Enfim, sem que eu precisasse falar qualquer coisa, eis que meu "salvador" vem a mim. Olhou-me nos olhos e perguntou algumas coisas que quase não consegui responder, embora tentasse com todas as forças. Disse-me depois que eu estava confusa e falando enrolado. Lembro-me então do caminho para o hospital, de todos os médicos e máquinas que resolveram ligar ao meu corpo e do medo que senti de estar morrendo.
"Vamos aplicar-lhe um tratamento que irá dissolver o trombo em seu cérebro. A senhora tem muita sorte, pois chegou com menos de três horas do 'evento', motivo pelo qual este medicamento poderá ser aplicado. Seu nome é Actilyse" - disse-me uma simpática e jovem médica... Santo remédio! Graças a ele o AVCI que sofri foi a tempo revertido.
Fui para a UTI, um lugar esquisito, meio futurista, com todos vestidos de branco, usando máscaras e luvas. Mas a cama era maravilhosa, elétrica e, para vencer o tédio, comecei a brincar com os botões que faziam a cama ficar na posição que eu quisesse... Coisas de primeiro mundo... risos. Vários exames e medicamentos depois, me deram uma transferência para uma enfermaria, já que eu estava  fora de perigo. Mais perguntas, mais exames e... Porque tive este AVCI? Ainda não tenho esta resposta... Não fumo, não bebo, não sou diabética e tampouco hipertensa. Saí ontem do hospital e me sinto bem. Os resultados dos exames que fiz não deram indicação de um motivo, mas vamos continuar investigando.
Portanto aviso: estou de novo por aqui, onde pretendo ficar por muito tempo ainda.
Obrigada por todas as rezas, orações e torcida para que eu ficasse logo boa. Fiquei. Ah! Obrigada ao HU e ao HC pelos atendimentos maravilhosos!


5 comentários:

  1. Suzana,

    Foi esse o motivo de sua distância, quase ausência, de nossas conversas? De início, pensei que fora somente o aumento de coisas por fazer no serviço, esse cotidiano atribulado que temos. Agora, sabendo da real situação, fiquei temeroso, muito, por você. Espero que tudo esteja bem, que você já tenha voltado para casa (que tenha também voltado a andar, sem a bengala, que tanto lhe incomoda). Estou torcendo por você, pelo seu pronto restabelecimento. E parabenizo pela coragem de fazer de uma experiência dolorosa dessa um texto até jocoso de se ler. Você é iluminada.

    Abraços, com meu desejo de saber de você restabelecida e bem, em breve.

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    1. Querido Fabrício!

      Sim, infelizmente foi esse o motivo de minha ausência. Não tive tempo ou oportunidade de avisar ninguém e isso me preocupou um pouco, por saber que alguns ficariam preocupados comigo.
      Estou bem agora e em casa. Não tive nenhuma sequela e não estou andando com a bengala. Graças a Deus por tudo!!
      Quanto ao texto, ao invés de sofrer com algo que quero esquecer, tendo que contar dezenas de vezes a mesma estória, resolvi contar uma única vez, claro que omitindo os detalhes mais sórdidos... rs
      Um grande beijo!

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    2. Mantenha-me informado, por favor. Está tudo bem? Teve algum sintoma depois disso? Está se medicando?

      Continuo rezando pelo seu pronto restabelecimento.

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  2. Eita susto, hein? As vezes recebemos esses acontecimentos em nossas vidas para nos lembrarmos da alegria por estarmos vivos! Obrigado por compartilhar essa experiência nada agradável. Desejo que melhore muito rapido. Bjs

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  3. Nossa que susto! Ainda bem que vc se recuperou e continua escrevendo suas crônicas. bjs

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Comente. Vou adorar ler.