quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Primeira Vez


Estava deitada em minha cama, olhando a claridade na janela... Claridade que chegava devagar, aos poucos, como que antecipando o despertar preguiçoso que certamente viria. Lembro-me de ter sonhado com o sol quente queimando a minha pele desacostumada e o mar verde escuro batendo monótono na areia branca e cálida. Tive saudades...
Percebi que estava encolhida e gelada. Era o frio. O primeiro frio real do ano... A primeira vez que o sentia de fato... Sabia que meu dia iria ser lindo... Antevi o céu azul de brigadeiro, minha cor de céu preferida e o sol morno que iluminaria meus afazeres. Espreguicei-me feliz e fui saindo devagar da cama. Olhei de novo para a janela e fui abri-la, como faço todas as manhãs... Chovia. Chuva fininha e molhada - não que chuva não fosse molhada, mas aquela molhava de verdade, entrava devagar pelas rachaduras da rua e frestas dos telhados, tornando tudo mais frio do que já estava. Olhei para o horizonte e vi uma pequena réstia de cor alaranjada, como prenúncio do dia que idealizei e que não estava acontecendo. Mas era o primeiro dia de frio real que sentia no ano... Frio úmido, doído e absolutamente bem vindo. Era como se quisesse me dizer que finalmente o verão estava acabado. Finalmente poderia viver por alguns meses sem aquele suador incômodo em vestuário sumário para não andar nua e sonhando com o dia em que finalmente poderia me aquecer como quisesse, me enchendo de casacos quentinhos e tomando minhas xícaras de café com leite fumegante sem culpa...
Então vesti-me com uma roupa bem quentinha e um casaco pesado. Era a primeira vez que realmente sentia frio neste ano... Não vou me esquecer deste dia.
Difícil esquecer a primeira vez... Seja ela do que for.