segunda-feira, 25 de junho de 2012

Travesseiro

Esta noite tive um sonho. Era um sonho tão real, que fiquei com pena de acordar... Mas acordei. Pela janela entrava a luz amarela do poste na rua. Ainda não havia o sorriso do Sol a me brindar com o seu bom dia. Estava tão frio e a minha cama estava tão quentinha... Tive preguiça de levantar e me pus a pensar no meu sonho, no meu dia, nas minhas vontades... Agarrei com força o meu travesseiro e fiquei esperando ela chegar. Na verdade, preferia que ela nem viesse, que ficasse boazinha como eu estava, sem nenhuma pressa. Que mania que ela tinha de atrapalhar a minha ordem ao seu bel prazer... O pior é que, quando ela chega, passa tão rápida que eu nem sinto. Então, o despertador berrou no meu ouvido. Finalmente ela - a hora - chegou... Não podia mais fazer de conta que o mundo estava momentaneamente parado, que o dia estava de folga e que a noite iria durar mais algumas horas... Só mais algumas horinhas. 
Olhei de novo para a janela. Pela fresta da veneziana vislumbrei os primeiros raios do Sol, tão preguiçoso como eu. Pulei da cama e fui direto para o chuveiro. Então pensei: vou fazer de conta que estou vivendo no meu sonho e que, assim que eu sair daqui, vou encontrar uma linda mesa posta para o café da manhã de uma rainha - gorda - cheia de pães, geleias, manteiga, queijos de todos os tipos e, claro, café com leite... Bem quente. Dei uma bela risada molhada para o espelho, enxuguei bem os cabelos, passei o creme na pele e vesti de novo o meu pijama quentinho. Saí do banheiro e desci célere as escadas. Não tinha nenhuma mesa posta e estavam todos ainda meio dormindo. Fui para a cozinha preparar o café da manhã bem magrinho, já que não quero mesmo ficar gorda, porque a minha estória não é um faz de conta e sim um faz acontecer... Se eu quiser.