terça-feira, 10 de julho de 2012

E se...

E se a água hoje não estivesse tão fria, tão fria que o mar, preguiçoso, nem viesse lamber-me os pés... E se o sol de hoje, tão morno, mas tão resplandecente, não viesse aquecer-me a pele... E se a areia não fosse tão fina que o vento, inclemente e desajeitado, não a atirasse nos meus olhos...
E se a minha cama, tão quente e convidativa não me remetesse aos mais perfeitos prazeres... E se eu não tivesse sonhos... E se, dos meus sonhos, eu não tivesse nenhuma lembrança... E se dessas lembranças não viessem os meus desejos, as minhas vontades...
E se eu não fosse uma verdade... E se os contos de fadas fossem de verdade... E se eu fosse uma fada...
E se....

4 comentários:

  1. Deixei para trás os "e ses..." e resolvi me fixar no presente, naquilo que ele me dá. Menor exercício imaginativo, pois certo, mas menor dor também, de não ter aquilo que não me veio às mãos. Aumentou-me a energia de lutar pelo que quero, de aproveitar o que tenho, mais atenção pelo que me dão. O ganho foi maior, sem dúvida...

    Abraço!!

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    1. Verdade Fabrício!
      Mas adorei escrever isso, inspirada num lindo dia de sol frio na praia.
      Bjuss

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  2. Lágrimas de Areia

    Lá estava ela, triste e taciturna.
    Testemunha de efêmeros conflitos,
    Com um olhar perdido no tempo,
    Não exigia nada em troca
    A não ser um pouco de atenção.

    Sentia-se solitária, oca,
    Os homens admiravam-na pelos seus dotes.
    As crianças, em sua eterna plenitude,
    Admiravam-na muito mais além...
    ... Mais humana!

    De sua profunda melancolia
    Lágrimas surgiram.
    Elas não umedeceram o seu rosto,
    Mas secaram o seu coração,
    O poço da alma,
    Aumentando cada vez mais
    A sua sede.

    Lá ela permaneceu; estática, paralisada!
    Esperando que o vento do norte a levasse
    Para bem longe dali!

    O dia começou a desfalecer.
    Seu coração, outrora seco e vazio,
    Agora pulsava em desenfreada arritmia.
    Desespero!
    A maré estava subindo...

    Em breve voltaria a ser o que era:
    Um simples grão de areia.
    Quiçá um dia levado pelo vento,
    Quiçá um dia... Em um porto seguro.


    Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan

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    1. Olá Fanzine (?)
      Nome interessante este que você escolheu... Mas muito obrigada pela visita e pelo poema. Como ele mesmo (Agamenon Troyan) diz
      "Lembranças são como páginas ao vento:
      Uma vez carregadas
      Revelam-nos o inexpugnável
      Mundo de alheios segredos."
      "E se" não houvesse um coração pulsante de vida em cada página de nossas vidas, para nos brindar com as cores do mundo.....

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Comente. Vou adorar ler.