sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Agosto, com gosto


Um mormaço estranho entrava por minha janela
Estremecida, senti uma forte sacudidela
Abri os olhos de uma vez e nem dei trela
Levantei-me devagar e fui apagar a vela

Olhei para fora e vi as árvores pelo vento curvadas
As rolinhas quietinhas em seus ninhos fechadas
No meio do vento, por vezes, seu pio fúnebre eu escutava
Aquele som teimoso sim me deixava abalada

Era agosto, simplesmente eu sabia
Exatamente o meio do inverno em teoria
E ainda haveria muito frio, para mim já valia
Passar ilesa por agosto era questão de harmonia

Fiquei no mesmo lugar confortável e quente
Os meus pensamentos nada coerentes
Me remetiam a pensamentos indecentes
Queria olhar o mundo de forma diferente

Olhei pela janela novamente
Um agosto mesmo incoerente
Noites frias e dias muito quentes
Vida que me sussurra "vá para frente!"