quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ecos

Sentada em meu lugar favorito ouvia orgulhosa arrulhares felizes de crianças no meu quintal. Ouvia também o barulho de bicicleta, carrinhos motorizados e as bolas batendo forte na parede, e os latidos dos cachorros brincando de brigar uns com os outros. Eu olhava as fotos coloridas que me remetiam aos momentos mais felizes da minha vida. Então eu pisquei. Senti lágrimas quentes escorregando dos meus olhos. Aqueles barulhos tão queridos eram apenas ecos das minhas lembranças. Lembranças que ainda hoje me dizem que não se passou tanto tempo e mesmo assim me diziam que em algum momento eu dormi.
Deixei o tempo passar e nem me dei conta.
Meus filhos cresceram tão depressa que mal percebi que já são adultos, saindo de casa para viver suas vidas que, com muito zelo, eu moldei naquele molde do amor mais profundo que uma mãe poder ter. Olhei-me no espelho e vi uma mulher ainda jovem. Crítica, procuro sinais da maturidade já chegando, enquanto digo para mim mesma que é esta a minha realidade: um dia fui filha, depois fui mãe e hoje sou apenas uma mulher madura, vivendo as alegrias e tristezas que tenho que viver, olhando o futuro com os olhos benevolentes que uma avó deve ter.
E ainda nem sou avó...
Sorrio o meu sorriso mais doce e imagino a casa de novo com os arrulhares felizes de novas crianças, as crianças que os meus filhos farão, chamando-me para ajudá-las a montar os carrinhos ou brincar de bonecas, enquanto seus pais ficam sentados em seus lugares preferidos, à espera da maturidade que vai demorar muito para chegar. Olhando as mesmas fotos que um dia olhei.