quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vento

Hoje um vento morno e bravo bateu à minha porta. Eu, desavisada saí para vê-lo e ele, sem cerimônia, fez os meus cabelos esvoaçarem e minha saia levantar. Enquanto tentava segurá-la - como na antológica cena da Marylin - via o efeito bravio dele - o vento - sobre minhas frágeis plantas. Tive saudades da época em que eu morava no sítio. Lá, quando o vento vinha para bater nossas janelas e portas, saia correndo de dentro só para ter meus cabelos esvoaçando e a roupa enrugando-se sobre minha pele, efeito de uma zanga antiga e implacável. Sabia que depois do vento sempre vinha uma tempestade com raios e trovões, totalmente ao meu gosto. Amo as tempestades. Mas depois vinha a bonança, a calmaria. Então era hora de passar o rastelo no gramado, jogar fora as folhas de palmeiras caídas e recolher o que foi atirado ao léu sem perdão ou reconciliação.
Estou aqui hoje... Na cidade. Aqui, o vento vem com cheiro da fumaça dos carros e fuligem deixando minha pele encardida (isso me mostra o algodão com leite de rosas que uso todas as noites).
Diria que sou feliz na minha casinha pequena com plantas por todo o corredor, quase um arremedo da natureza que aprendi a amar enquanto morava no sítio.
Agora estou olhando pela janela e o dia ficou cor de bronze. As nuvens estão se juntando e, em reunião, decidirão se vão ou não chorar suas lágrimas grossas sobre o solo triste.
Espero que chova. Meu nariz sangrento certamente irá agradecer pela umidade bem vinda.