quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Chinelo

Andava devagarinho, parando de quando em quando para olhar em volta. Tudo parecia calmo... Calmo demais. A certa altura, o vislumbre de um lugar escuro e uma esperança de liberdade. O coração - se é que ainda havia um - batia descompassado antevendo finalmente a fuga. Passo a passo a escuridão ia aumentando e o esconderijo tornando-se mais certo. Uma ligeira paradinha... Uma fração de segundos e... Ai que tristeza! Acabaram-se todas as esperanças, toda a chance de legar a herança a custo sonhada, toda uma futura geração perdida... Não havia mais sonhos, caminhos ou esconderijos. Um chinelo... Um simples e velho chinelo, sem glamour e sem salto, já gasto pelo uso esparramou aquele ser abjeto sem dó ou piedade. Splach! Foi o som que saiu. A barata ainda tentou se mover, mas a chinelada havia separado seu pequeno e nojento corpo em duas partes.
Sorte a minha te-la visto e ter tido tempo para ceifar lhe a vida. Azar o da barata por ter-me encontrado pelo caminho.