quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Vida

Estava cuidando de umas plantinhas no meu pequeno jardim. Adoro arrumar as plantas, cuidar delas, tirar as pequenas invasoras que insistem em nascer nos meus lindos vasos. Tenho um certo remorso por tira-las, mas é assim mesmo... Saem as daninhas e ficam as plantinhas. Bonitas.
Descobri uma fina haste de flor saindo de minha mais nova aquisição, que ganhei da Edna, uma orquídea - sei lá que nome - que fixei num pedaço de xaxim (já sei, xaxim não deve ser usado, porque é uma planta em extinção, mas eu já a tinha desde a época do sítio).
De repente, um fio de água gelada escorreu pelas minhas costas, por dentro da blusa. Ai que arrepio!
Finalmente começou a chover. A princípio uma chuva fininha e sem graça, daquelas que molham sem molhar, que demora para secar e deixa tudo cinza...
Lembrei-me com prazer de todas as chuvaradas que tomei, de todas as poças que pisei - com os dois pés - feliz da vida e de como é bom ver a quantidade de vida que depende de uma simples poça d'água, incluindo a minha também, porque tenho certeza de que viver é como pular em poças, espalhando água prá todo lado, limpando a lama de nossos pés e sujando a roupa. Viver é assim, uma grande aventura, é cair de cabeça no buraco de água e descobrir que às vezes dói e outras tantas não. É o equilíbrio entre o que faz bem e o que faz mal. E ainda assim, o mal nem é de todo mal e o bem nem é de todo bem. Só sei que amo viver, que amo tudo o que me faz bem, que tenho saudades de tudo bom que já vivi, que espero chegar ao fim do dia dizendo "boa noite Lua!" e, quando o dia finalmente nascer amanhã, dizer "Bom dia Sol!". Amo a vida que ainda nem sei, os amigos que ainda farei e os amigos que já fiz.