segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tardes em Itapuã

A sensação de "cocegazinha" na barriga passou e então me dei conta que estava em cima das nuvens. Era um chão de espuma branquinha que se perdia ao longe, bem lá no fim do mundo, onde a cascata branca se desfaz. Minutos e minutos depois, eis que o sol desce e a paisagem, escura como breu, nos impede de continuar vendo o imenso tapete fofo. À distância de uma piscada de olhos, olhei para baixo e vi fileiras e fileiras de luzes vermelhas e amarelas... E o capitão nos informou que já íamos aterrizar em Salvador.
Finalmente eu iria conhecer a cidade onde meu pai nascera. Desembarcamos num mundo diferente, colorido, o cheiro do mar e das gentes pairando no ar, rostos suados de calor, luzes... De dentro do carro era possível sentir o aroma de todas as comidas cozinhadas no dendê, preparadas dentro de casa ou nas barracas de acarajé. Aliás, me empanturrei de acarajé até não aguentar mais comer.
Entendi agora a música de Tom Jobim... "É bom... passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, ouvindo o mar de Itapuã..."
Fiquei em Itapuã tempo suficiente para rever primos que não via a anos, tempo suficiente para ser picada pelo bichinho baiano que me fez prometer que voltaria bem rápido. Tempo suficiente para sentir uma saudade imensa...
Então, de novo a sensação gostosa de dorzinha na barriga e... De volta ao mundo, de volta em casa, de volta para tudo...
Vim, mas voltarei à Salvador... Ah vou!


12 comentários:

  1. Adorei o texto, principalmente pelo elogio que você faz a esta terra linda que estou aprendendo a amar. As tardes preguiçosas em frente ao vasto mar, o ar salgadinho adentrando nossos pulmões e o vento forte carregado da inebriadora maresia soteropolitana. Ahh, essas sensações são impagáveis! Meus parabéns pelo texto!

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    1. Obrigada Roberto!
      Adorei Salvador. Pena que foi tão pouco tempo.
      Vou voltar lá sim.
      Bjuss

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  2. Tão bem descrito que dá para sentir o que voce sentiu. Quando fores novamente me convide, faz favor.;-)

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  3. Acompanhei a visita pela sua descrição e me vi transportado para lá, novamente. Pelo menos três vezes ao ano tenho a bênção de poder visitar a capital baiana e é sempre uma ótima pedida.

    Abraços!

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    1. É sim Fabrício! Adorei Salvador, suas misturas, seus cheiros e seus rostos contentes.
      Bjuss

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  4. Deliciei-me com a narrativa da tua viagem, Suzaninha. Nota-se a felicidade de que foste possuída.
    Desculpa jóia, se te massacro com as minhas rimas. Mas espero que compreendas, pois que são a melhor forma que tenho para comunicar.

    Uma rosa se poisou,
    no Jardim, São Salvador,
    porque rosa fecundou,
    em jardim prenhe de flor.

    Pelo Jardim possuída,
    com o seu polen voou,
    e Suzana renascida,
    a São Paulo regressou.

    Mil abraços, amiguinha!

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  5. Ai Zé!
    De lindas e puras palavras
    Da amizade que em meu ser lavras
    No jardim de min'alma
    Poesia pura e sincera
    Deixas cair em minhas palmas
    E aplaudem o terno poema

    Obrigada querido amigo.
    Bjuss

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  6. Daqueles registros de viagem tão deleitosos, que causam - quase uma inveja (do passeio e da prosa) - uma sensação de eu também quero (conhecer o lugar e escrever assim)!
    Te vi no Logomaquia e resolvi vir conhecer um dos seus espaços.
    Apreciei. Bastante!

    Um abraço

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    1. Obrigada pela visita, cara Rafaela. Espero que não se canse de vir me ver...
      Um abraço.

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  7. Bonito texto, Su!
    Deixa como uma saudade no leitor.
    Gostei muito.

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    1. Obrigada pela visita e pelo comentário sempre tão gentil.
      Bjuss

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Comente. Vou adorar ler.