segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Espelho meu..

Olhei minha imagem no espelho. Ah! Adoro espelhos. Quem não os adora? Desta vez observava a cor primaveril de minha pele, queimada pelo sol... Queimada não, bronzeada, saudável, brilhante e bonita. O espelho está me dizendo isso. Ultimamente ele - o espelho - tem sido tão camarada comigo...
Abri todas as janelas de minha casa e senti o cheiro úmido das árvores e das plantas recém molhadas pelo sereno da madrugada. Ouvi os sons da manhã que já se adiantava. Eram os latidos insistentes da cachorrada, os lânguidos miados dos gatos e os gritos estridentes dos periquitos maracanãs sob o meu telhado. Aquele burburinho de idas e vindas, o cheiro do pão fresco e do café recém passado... Os sons, as cores e os cheiros que fazem o bom humor de todos. Quem pode ficar de mau humor com essas visões simples de uma vida simples?
Fui de novo ao espelho. Observei mais crítica as linhas do meu rosto. São linhas de vida, de amores, desamores, felicidades e nem tanto. Será que eu ainda tenho espaço para mais algumas linhas em meu rosto? O espelho acaba de me contar que sim. Isso não é o máximo? As coisas boas chegam com o tempo... Mas, na verdade, as melhores chegam de repente. Então, desci correndo as escadas. Dei uma boa cheirada nas flores sobre a mesa e ri. Ri da vida, ri com a vida e ri para a vida. A vida que entra rápida pela minha janela, que passa rápida pelas linhas do meu rosto e que me tenta a cada dia, com seus cheiros, cores e gostos.