quarta-feira, 10 de abril de 2013

Perigo Danger


Andava distraída, olhos voltados para o chão, contando os grãos de areia. O vento batia em meu rosto, levando meus cabelos para trás, enquanto o sol, inclemente, ia deixando minha pele rosada. Mas eu nem ligava... Pensava em nada.
As gotinhas geladas da água salgada batiam sem nenhuma pena em minhas pernas quentes, me chamando para o banho de corpo e alma. Fiz o sinal da cruz e me arrastei água a dentro, rompendo as ondas e prendendo a respiração cada vez que uma onda batia em minha barriga. Cobri os olhos protegendo-os do sol. Lá longe uma onda enorme ia se formando. Olhei atenta para os lados e para trás, pensando em voltar à praia antes que o pior acontecesse, afinal eu nem estava tão longe assim e o medo não me deixou seguir adiante. Lentamente fechei os olhos e esperei que ela chegasse. Virei de costas e esperei. Instintivamente abaixei e deixei que a onda suavemente me envolvesse e fosse quebrar mais a frente. Até que foi rápido. Tratei de voltar sem nem me preocupar em olhar se vinha outra onda daquelas. Na verdade, o mar me levou de volta a cada onda que mandava para a praia.
Franzi os olhos e focalizei, na praia, aquele que sabia ia me dar uma bronca. Era alto como um jogador de basquete e magro como um palito, mas era imponente, visível de longe. Sua cabeça redonda como uma bolacha estava lá a sorrir para mim, de um jeito bobo, cínico e implacável. Baixei os olhos envergonhada e passei por ele, dispensando-lhe apenas um olhar arrependido.
Perigo Danger continuou ali parado para observar todos os tolos que, como eu, entram no mar bravo sem ao menos dar uma olhadinha para ele.