domingo, 25 de agosto de 2013

Bazófia














Andava apressada naquele momento.
Quase correndo.
Olhava, vez por outra, por cima dos ombros,
Como a querer fugir da queda de escombros.
O dia estava cinzento
E o céu predizia um dia nevoento.
Apertei os passos,
Queria sair logo daquele compasso.
Espremi os olhos e vi um gato,
E ele me viu estupefato.
Fugiu assustado.
Devia estar apressado.
Eu estava apressada.
Sentia-me quase assanhada.
Pensava nos roncos que ouvia
E em pensamentos me debatia.
Ai que medo...
Sorri contida daquela ironia.
Olhava ao léu, agora sem rumo...
Sem rumo? Ai que agonia.
E aquele ronco? De onde viria?
Tentava colocar os pensamentos em prumo.
E agora o que é este cheiro?
Os roncos estão mais altos,
Parecem vir de muito perto,
Tomam meu corpo por inteiro.
E o cheiro...
Parece intensificar os roncos,
Uma bazófia.
De repente uma voz surgia,
Falava bem doce como linda poesia.
Um calor subiu pelas minhas entranhas
E me impediu de fazer manhas.
Finalmente acordei...
Tudo aquilo? Era só um sonho.
O ronco? Ai que fome...
E o cheiro? Era de café.
Ah! A voz... Era do meu amor.