quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pele Aquecida



Ele foi entrando devagarinho, quase sorrateiro
Invadiu meu dia como se fosse um passageiro
Tocou-me de leve e eu nem queria, traiçoeiro!
Rendi-me lânguida e feliz num suspiro derradeiro

Ele foi entrando insistente e caloroso
Abraçou-me por inteiro, o cobiçoso
Deixei-me envolver no seu braço vigoroso
Até que minha pele esquentasse, ai! poderoso


Mas, que pena, o que era bom durou pouco
Arrebataram-me o calor, fizeram ouvidos moucos
Não ouviram meu clamor, meu louvor
Riram-se de mim e rugiram num fragor

Esconderam-no de mim, oh! piedade!
Não tiveram por mim nenhuma bondade
Vá-se nuvem pesada! Deixe-me com meu Sol!
Ele me esquenta, me abriga, é meu farol

Mas qual! A nuvem perversa mandou-me frio
E como não bastasse, mandou-me também a chuva
Como as lágrimas dos ciúmes dela do meu Sol
Aquele que agora aquecia suas costas, como luva

E enquanto a nuvem chora suas mágoas
Vou seguindo meu caminho, porque a nuvem passa
E então, meu Sol volta e me lambe as costas
No seu carinho quente que minha pele tosta