segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Podia ser de verdade...

Era apenas uma sensação. Uma daquelas que começam pelos dedos dos pés e vão subindo devagar e causando arrepios. Era como um sopro quente e úmido que vai passando pela pele como a língua de um amante cuja saudade não se traduz em palavras, mas no olhar guloso e faminto. Os lençóis brancos e frescos jaziam inertes ao pé da cama, esquecidos. Os olhos preguiçosos aproveitavam os últimos minutos da noite que enfim se esvaia pelas frestas da janela. Já se podia ouvir o canto dos pássaros madrugadores. E a sensação subia, devagar e sem parar. Estava mais quente agora... E mais úmida. O arrepio agora tomava o corpo inteiro, num prazer de sonhos. E os olhos, ansiosos, se recusavam a abrir. Os lábios tremiam e, de repente, pequenas gotas de suor começaram a escorrer pelo rosto e pescoço. As mãos em vão procuravam alguma coisa em que se segurar... Nada.
O calor continuou a afagar sua pele como carinho. O cheiro do café entrava em suas narinas e a fome aumentava. Fome do quê?
Então, um barulho e enfim seus olhos se abriram arregalados e assustados... "Ah! Desculpe, desliguei o ventilador e esqueci de fechar a porta. Vem tomar café? Traz a Mitzi com você... Gatinha sem vergonha que não pode ver a porta aberta e já vem deitar nos pés da gente..."
Bem que podia ser de verdade...