terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A viagem

O Sol ardia sobre minhas costas já morenas do Verão passado na praia. A água do mar, morna, lambia minhas pernas como um convite à lascívia. Sentia saudades... Saudades do que sabia que poderia ter, saudades do que sentiria em breve, vontades que certamente iria realizar.
Continuei minha toada rumo a lugar nenhum, como se o único objetivo fosse o nada...

E o Sol ardia sobre minhas costas...

No horizonte podia divisar dezenas de navios ancorados à espera de seu momento para atracar no porto, como eu mesma me sentia... Ancorada à espera, sempre à espera. Umas gaivotas revoaram ao redor de algum cardume de minúsculos peixes que nadavam apressados, quase desesperados nas bordas das ondinhas que continuavam a lamber minhas pernas. Caranguejinhos circulavam pela areia cavando seus tuneis e pequenos moluscos em suas conchas se enterravam na areia encharcada enquanto meus pés continuavam seu caminho.

E o Sol ardia sobre minhas costas...

Até que virei de frente para Ele, enfrentando-o com um misto de raiva e a alegria selvagem que remete à Natureza, que nos torna o que somos, que nos mostra a esperança que em algum momento parecia termos perdido, que nos diz que amanhã será um dia melhor, mais fresco,  que o Inverno, meu melhor amigo, finalmente chegará de sua longa viagem de volta...

Um comentário:

  1. Que beleza de texto, Suzaninha! Faço-te um desafio, dá-lhe a forma de poesia, porque de poesia, o mesmo se trata. Aceitas o meu repto?
    Sabes uma coisa amiguinha? Quanto mais te leio, mais te admiro, mais aos teus escritos me arreigo.
    Milhões de abraços.

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