quarta-feira, 18 de junho de 2014

Velhice


Era um pouco tarde para sorrir 
Aquele sorriso que vem de dentro
Quase de lá onde fica o umbigo

Era já tarde para ver
Aquele olhar tão inocente 
Que não é nada prudente

A vida foi passando, célere
Os cabelos foram rareando, brancos
Os movimentos lentos, depois do tranco

Os anos deixavam suas marcas
Marcas na pele, na história
Todas as marcas que denotam vitória

Era um pouco tarde para sorrir
Mas ele vinha assim mesmo, teimoso
Aquele sorriso mais que bondoso

As mãos ásperas e calosas, acariciam
E o toque delas, ai que delícia!
Delícia saudosa que só dá alegria

O colo já não é macio, mas quase ossudo
E mesmo assim é farto e convidativo
O carinho mais ansiado, compreensivo

Receber um apertado e desejado abraço
É quase uma condição para viver
É o remédio, o motivo para o coração bater

Então, a festa continua
Continua pelos anos sem fim
Sem final, sem solidão, num lindo jardim