terça-feira, 1 de julho de 2014

Ave Maria que frio!!!


Fui abrindo os olhos devagarinho, os movimentos preguiçosos e sonolentos. Ainda estava escuro e as luzes da rua refletiam sua alegria pelas frestas da minha janela. Ave maria que frio! Encolhi-me sob as cobertas quentes de minha cama macia e resolvi que ainda era muito cedo para pular dela. E nem tinha olhado as horas no pequeno visor do meu telefone. Não havia nenhum barulho, nenhum movimento... Tudo dormia ainda. Revivi as últimas cenas do sonho que tive e do qual já não me lembro, a não ser pela impressão confortável que me deixou quando acordei.
Aos poucos minhas urgências começaram a me fazer querer sair do torpor. Devagar fui afastando as cobertas, mas as coloquei de volta o mais rápido que pude. Ave Maria que frio! Que delícia! Adoraria ficar na cama por tempo indeterminado. Mas fiquei pensando no meu corpo sendo achatado, meu bumbum desaparecendo e comecei a rir. Pronto, motivo para levantar, como se já não tivesse os outros, mais urgentes.
Finalmente saí da cama. Nestas alturas já podia ouvir os sons de vida lá fora, cheiros de café sendo passado, de pão esquentado, de suco de laranja, latidos insistentes e miados irritantes. Ok, não precisa exagerar... Sertanejo a estas horas é de amargar... Meu Deus que frio! Vamos! Coragem!
Tirei o pijama quentinho para enfiar-me numa calça gelada e blusa mais ainda. Com a pele arrepiada, rezei para que as roupas esquentassem logo e me aquecessem. Olhei de volta para a cama e ela me olhou convidativa. Ai que vontade de voltar para seus braços quentes e gentis.
Abri a janela e, apesar do frio, pude ver a pequena faixa cor de rosa e vermelha que surgia no horizonte. Ai que alegria, era o dia me dando bom dia. Então os cheiros ficaram mais fortes e os sons mais estridentes. O primeiro avião do dia passava estragando meu idílico início, mas... Vamos lá!
Ave Maria que frio!!!