terça-feira, 12 de agosto de 2014

E....


E eu te tocarei novamente, deixarei que me lamba as pernas, que me envolva em teu abraço fresco e úmido, e ao mesmo tempo quente, com sabor de retorno e cheiro de amor. E te deixarei me olhar com a gula dos amantes. Aspirarei teu odor de sal e provarei teu gosto ancestral, e farei desenhos em ti, corações e estrelas. E me deixarei cair sobre ti, com a alegria de uma criança e te deixarei ficar sob mim... E sobre mim. E não haverá no mundo uma união mais densa, mais tensa, mais querida e mais amada. E me quedarei a ouvir-te os murmúrios ora felizes, ora tristes, no vai-e-vem de teus movimentos a molhar-me insistente e acalmar-me os juízos. E juntos olharemos o horizonte e sonharemos com as marés mansas e o sol morno do entardecer, e ouviremos juntos os cantos dos pássaros a voarem sobre nossas cabeças. E sentiremos juntos o vento a crespar-me os cabelos. E beberemos juntos o néctar dourado do sol a queimar-me a pele branca. E nem ligarei para as rugas que me provocas, como as uvas passas. Ah mar, meu mar... Sinto tanto a tua falta... Olho-te pela janela do carro e aceno-te saudosa... Juro-te, o Verão está chegando. Com ele o tempo de me saciar em teu frescor e imensidão.